Lula deixa hospital e segue para casa em São Bernardo

Ex-presidente, dignosticado com câncer na laringe, estava no hospital Sírio-Libanês, em São Paulo

Estadão.com.br,

29 de outubro de 2011 | 20h21

SÃO PAULO - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, diagnosticado com tumor malígno na laringe neste sábado, 29, deixou o hosital Sírio-Libanês por volta das 20h, seguindo em direção ao seu apartamento, em São Bernardo do Campo (SP).

Lula vinha sentindo rouquidão e, durante a comemoração de seus 66 anos, na última quinta-feira, 27, queixou-se ao médico Roberto Kalil, que o orientou a fazer exames.

 

Segundo o assessor de Lula José Chrispiniano, a previsão é de que o ex-presidente retorne ao hospital na segunda-feira para iniciar tratamento de quimioterapia. A agenda do presidente será alterada em função do tratamento.

 

 

Tratamento

 

Após avaliação multidisciplinar, foi definido tratamento inicial com quimioterapia. O boletim médico divulgado pelo hospital informa que Lula está bem e deverá realizar o tratamento em caráter ambulatorial. Isso significa que ele não precisa ficar internado durante o tratamento.

 

O ex-presidente foi submetido hoje a uma intervenção cirúrgica para a realização de uma biópsia do tumor encontrado em sua laringe. Identificado em estágio inicial, o tumor tem entre 2 e 3 centímetros e é considerado de tamanho médio. Lula passará por três ciclos de quimioterapia, começando o primeiro na segunda-feira, 31. Os ciclos ocorrerão em intervalos de 20 dias. O tratamento deve durar três mses.

 

A equipe médica que assiste o ex-presidente é coordenada pelos médicos Roberto Kalil Filho, Paulo Hoff, Artur Katz, Luiz Paulo Kowalski, Gilberto Castro e Rubens Neto. O oncologista Paulo Hoff afirmou que o prognóstico para o tipo de câncer apresentado por Lula é "muito bom". Segundo a assessoria de imprensa do ex-presidente, Lula deixa o hospital ainda hoje rumo à sua residência, em São Bernardo do Campo.

 

Minutos depois da divulgação da notícia, usuários do Twitter criaram a hashtag #ForçaLula, com mensagens de apoio ao ex-presidente. O assunto já é um dos mais falados na rede social.

 

No mesmo hospital foi tratada com sucesso a atual presidente, Dilma Rousseff, de um linfoma não-Hodgkin, em 2009. Lula chegou ao poder em 2003 e, em 1º de janeiro de 2011, entregou a faixa presidencial a Dilma, vencedora das eleições. Nos últimos meses, Lula viajou para dezenas de países e recebeu homenagens pelo seu empenho na luta contra a pobreza e a fome.

 

O câncer na laringe está associado ao tabagismo, maior fator de risco, e ao consumo de álcool. Segundo informações do Instituto Nacional de Câncer (Inca), “pacientes que continuam a fumar e beber têm probabilidade de cura diminuída e aumento do risco de aparecimento de um segundo tumor”.

Para lembrar: Dilma enfrentou câncer linfático

 

Foi também em um sábado, 25 de abril de 2009, que a então ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, em entrevista coletiva no Hospital Sírio Libanês, anunciou que seria submetida a um tratamento contra câncer no sistema linfático. Um tumor de 2,5 centímetros fora retirado de sua axila e exames posteriores detectaram que o nódulo era o único foco da doença em seu organismo.

 

Pré-candidata do PT à sucessão de Lula, Dilma anunciou a conclusão do seu tratamento no dia 3 de setembro daquele ano, e disse que do ponto de vista médico estava curada. A informação foi confirmada por sua médica, a dra. Yana Augusta Sarkis Novis.

 

Por causa das sessões de quimioterapia, Dilma raspou o cabelo antes que ele começasse a cair, o que a fez usar peruca até dezembro de 2009. Em 2010, após dois turnos, foi eleita presidente do Brasil, com 55,75 milhões de votos.

 

(Atualizada às 18h52)

 

(Com informações da Efe e de Francisco Carlos de Assis  e de Marisa Castellani, da Agência Estado)

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