Lula deflagra ofensiva com governadores tucanos pela CPMF

Presidente faz apelo para tentar influir junto a senadores e aprovar a prorrogação do tributo até 2011

Cida Fontes, do Estadão

23 de novembro de 2007 | 12h58

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já começou a ofensiva junto aos governadores do PSDB para aprovar a prorrogação da CPMF até 2011. Em conversa com o governador da Paraíba, Cássio Cunha Lima, o presidente fez um apelo para tentar influir junto aos senadores. "É preciso que os governadores encontrem um mecanismo de diálogo com o partido", disse Cassio. Adotando um discurso de críticas à bancada de senadores semelhante ao que Lula fez na semana passada, afirmou que o partido está numa posição contraditória em relação à CPMF.  Veja também:  Entenda a cobrança da CPMF  "A falta de sintonia da bancada no Senado com os governadores é preocupante. "A bancada está errada e faz ouvidos de mercador", ressaltou, para acrescentar que se Geraldo Alckmin tivesse sido eleito no ano passado para presidente o PSDB não estaria contra a CPMF. As pressões de Lula sobre os governadores foi prontamente rebatida pelo presidente do PSDB, Tasso Jereissati (CE), que ontem ouviu mais uma vez dos governadores de São Paulo, José Serra, e de Minas Gerais, Aécio Neves, posições favoráveis à manutenção do imposto do cheque. "O maior erro do presidente Lula é tentar dividir e cooptar isoladamente os governadores. Cada vez que faz isso aumenta a nossa reação", enfatizou Tasso. A cúpula tucana jantou ontem em um hotel de Brasília e, mais uma vez, os senadores manifestaram que a bancada não pode recuar e está decidida a assumir uma postura de oposição mais firme. Nesta sexta,o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, disse que se o governo quer aprovar a prorrogação da CPMF "tem de meter a mão no bolso".  "Se o governo quer aprovar um imposto de R$ 40 bilhões, não pode propor uma desoneração de fachada", afirmou Aécio. Para ele, o Planalto deve apresentar uma proposta que preveja, por exemplo, desoneração maior da CIDE e do Pis-Cofins. O governador disse que acha difícil , no entanto, o Planalto apresentar tal plano tendo em vista que o tempo está se esgotando. Sobre a posição do PSDB que é contrário à aprovação da prorrogação do tributo, Aécio afirmou: "Acho importante o PSDB ter pessoas que divirjam. Não vamos ser como o PT, que tinha vício de origem quando o PSDB era governo. Não vamos fazer oposição como o PT fazia, mas só vamos defender o que realmente achamos que é bom para o país". Saída de ministro  Na luta para aprovar a qualquer custo a CPMF até 2011, o governo Lula vê mais um ministro se afastar com rapidez incomum. Apenas minutos depois de ser denunciado pelo procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, por envolvimento com o mensalão mineiro, o ministro das Relações Institucionais, Walfrido Mares Guia, pediu demissão, na quinta-feira, tentando assim evitar desgastes ao Planalto. Em seu lugar, assume José Múcio Monteiro (PTB-PE), que já deixou claro que a tarefa óbvia e imediata é uma só: passar a CPMF.  Na quarta-feira, ao conversar com Mares Guia sobre a possibilidade de sua saída, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou-o à vontade para agir como melhor entendesse e disse que "pensasse direitinho" antes de decidir apresentar seu pedido de afastamento. Mas, na verdade, o presidente sentiu-se aliviado com sua decisão de sair. Em conversa com auxiliares diretos, o presidente elogiou Mares Guia e comparou sua situação com a de Silas Rondeau, que deixou o Ministério de Minas e Energia após ser bombardeado com o que o Planalto qualifica de "frágil" denúncia vazada pela Polícia Federal. (Colaborou Ana Paula Scinocca, do Estadão)

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