Lula define espaços do PMDB, PP, PR e PTB no Ministério

Em três rodadas de negociações com partidos da base aliada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva demarcou os espaços do PMDB e dos partidos médios da coalizão no Ministério. A equação mais difícil do novo Ministério, que deve ser anunciado nos primeiros dias de março, envolve a participação de PT, PSB, PCdoB e do PDT, que aderiu ao governo integrando o bloco da esquerda não-petista. O PMDB vai manter Saúde, Minas e Energia, Comunicações, e deve ganhar ainda a Integração Nacional, atualmente com o PSB. O PP vai manter o Ministério das Cidades e o PR (ex-PL) retornará ao comando dos Transportes. O ministro do Turismo, Walfrido Mares Guia, vai deixar o PTB mas deve permanecer no cargo. O partido será compensado com a indicação do novo líder do governo na Câmara, o deputado José Múcio (PE). Bastidores Nas conversas com dirigentes aliados, Lula demonstrou que considera certa a permanência do empresário sem partido Luiz Fernando Furlan no Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio. Furlan teria atendido a um apelo pessoal de Lula para permanecer, da mesma forma que Gilberto Gil, da Cultura. A permanência de Gil garante o espaço do PV na Esplanada. Eleito senador, Alfredo Nascimento (PR-AM) voltará ao Ministério dos Transportes, que era reivindicado pelo PMDB. Outros nomes confirmados por Lula nessas conversas são os de Silas Rondeau (Minas e Energia) e Hélio Costa (Comunicações), ambos indicados pela bancada do PMDB no Senado, representando a ala do partido que aliou-se ao governo no momento pior da crise do mensalão, em 2005. O PMDB da Câmara, que apoiou o governo depois das eleições, indicará o deputado Geddel Vieira Lima (BA), provavelmente para a Integração Nacional, e o ministro da Saúde. Mesmo delegando a indicação à bancada, Lula manifestou preferência pelo ex-presidente do Instituto Nacional do Câncer (Inca), José Gomes Temporão. Reivindicações A continuação de Márcio Fortes no Ministério das Cidades foi "assegurada" por Lula em encontro com dirigentes do PP na Terça. "O presidente nos assegurou que o PP vai continuar com Cidades, perguntou se mantemos o apoio ao Márcio Fortes e respondemos que sim", disse a jornalistas o líder do PP na Câmara, Mário Negromonte (BA). O presidente do PDT, Carlos Lupi, saiu de uma audiência no Planalto, também na terça, dizendo que o presidente garantiu um ministério ao partido. O PDT reivindica uma das pastas da cota do PT (Trabalho e Educação) ou a Previdência, onde está atualmente o petista Nelson Machado, que já foi do PMDB. Lula guarda os ministérios da Agricultura e da Defesa para arrematar a reforma. O PP reivindica as duas. Tem ainda a Justiça, para qual deve se deslocar Tarso Genro, abrindo a vaga de Relações Institucionais. A negociação com os partidos da esquerda é considerada politicamente a mais delicada, depois que o PT derrotou socialistas e comunistas na disputa pela presidência da Câmara dos Deputados, quando Arlindo Chinaglia (PT-SP) venceu Aldo Rebelo (PCdoB-SP). O PT e os aliados de esquerda podem vir a ser adversários na sucessão presidencial de 2010, na qual o presidente não poderá mais ser candidato.

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