Lula defende voto aberto no processo de cassação de Renan

Em entrevista a emissoras de rádio, presidente falou sobre corrupção, mensalão e foro privilegiado

Entrevista com

Estadão.com.br

06 Setembro 2007 | 08h57

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, nesta quinta-feira, 6, o voto aberto no parecer que pede a cassação do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB), mas defendeu o direito de defesa do peemedebista e também dos acusados no caso do mensalão.  Veja também: Renan estuda renúncia; Sarney já é sondado para o cargo Lula diz que País não pode perder R$ 40 bilhões da CPMF Lula apóia BC e diz que não permitirá a volta da inflação Governo não discute reestatização da Vale do Rio Doce, diz Lula "Nem é importante dizer se sou a favor ou contra ao voto secreto. Sou a favor que o Congresso Nacional faça suas normas de procedimento. Goste eu ou não, elas existem". "Por mim, da mesma forma que falava como oposição, se tivesse numa comissão qualquer votaria e diria o que estava votando, inclusive no processo contra Renan", afirmou.  "Eu acho que o Renan tem o direito de se defender", disse.  O presidente negou que o governo estivesse sendo pressionado pelo PMDB para intervir na votação no Senado contra Renan. Lula também defendeu o respeito ao "processo democrático" e às investigações. "Nós não podemos permitir que as pessoas sejam execradas antes que o processo esteja terminado. Você condena as pessoas antes da defesa. Todo ser humano é inocente até provem o contrário. Não sou eu que vou dar um veredicto. O que eu posso fazer é criar recursos para que a polícia possa investigar", completou. "É preciso que haja justiça para separar o joio do trigo". Lula reiterou que até agora ninguém pode ser considerado culpado ou inocente no episódio do mensalão, argumentando que a conclusão só será possível com o desfecho do processo penal que acaba de ser aberto pelo Supremo Tribunal Federal.  O presidente enfatizou que continuará a fazer tudo o que estiver ao seu alcance para combater a corrupção e ressaltou que em seu governo já foram punidos 1.253 funcionários públicos envolvidos em irregularidades. "Não existe hipótese de haver uma denúncia e não haver uma investigação".  Lula afirmou que o seu governo está "tirando o lixo debaixo do tapete" para mostrar que a polícia e o Ministério Público estão preparados para combater a corrupção, mas ponderou que esse processo tem que ser feito dentro da lei. "O PT não pode se curar diante do debate da ética". "O que o PT e pessoas do PT cometeram de erros vão ser julgados pela Justiça. Alguns já foram julgados pelo PT outros julgados pelo Congresso Nacional", concluiu.  Foro privilegiado Na primeira entrevista coletiva a emissoras de rádio do País do segundo mandato, Lula disse ser a favor do foro privilegiado para governantes, mas questionou o privilégio a diplomados. "Não acho que um governador, um presidente da República seja julgado em qualquer comarca desse País, é preciso que tenha foros, que cuide disso com carinho", disse. E completou: "Um cidadão que rouba um bilhão e o que roubou um tostão tem que ter um julgamento igual. Só que o que um roubou um bilhão tem condições de contratar os melhores advogados do País e o outro não".  Lula também defendeu que o combate à corrupção e outros crimes deve ser equânime entre ricos e pobres, argumentando que a população carente tende a ser prejudicada por não ter condições de pagar advogados. Ele exemplificou se uma pessoa for flagrada furtando um pão na padaria, seria presa na hora sem possibilidade de se defender. "É preciso criar uma justiça mais justa".  No entanto, Lula defendeu o foro privilegiado para autoridades, argumentando que elas não podem correr o risco de serem presas por determinação de qualquer juiz. Ele citou o exemplo do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, que acusado de evasão de divisas, correria o risco de não conseguir exercer suas funções, caso algum juiz cismasse de determinar sua prisão. Por isso, segundo Lula, o governo concedeu o status de ministro a Meirelles, para garantir a ele foro privilegiado. "É preciso critério para julgar quem tem grandes responsabilidades, senão ninguém ia querer trabalhar no governo".  (Com Roberto Camargo)

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