Lula defende uso da internet em campanhas eleitorais

"A vantagem do Brasil é que este país tem mais democracia do que a maioria dos países", disse

Liege Albuquerque, de O Estado de S.Paulo,

14 de setembro de 2009 | 16h14

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta segunda-feira , em Boa Vista (RR), o uso livre da internet em campanhas eleitorais. "Seria impossível imaginar que você vai controlar a internet (nas campanhas). O que é importante é seguir um critério, não permitir determinadas coisas na internet. Eu assisti à CPI da Pedofilia e o que precisa, ao invés de proibir, é responsabilizar quem usa a internet", afirmou o presidente em entrevista que durou uma hora às rádios locais de Boa Vista. Para Lula, é necessário manter a liberdade de expressão e comunicação. "Eu já fui muito vítima disso, então vamos dar aos internautas o direito de descobrir mais coisas e a vantagem do Brasil é que este país tem mais democracia do que a maioria dos países".

 

Lula esteve nesta segunda-feira na capital de Roraima pela primeira vez como presidente. Logo que chegou à cidade no início da manhã foi recebido por uma manifestação de cerca de 50 arrozeiros inconformados com a demarcação da reserva indígena da Raposa Serra do Sol. O presidente não viu a manifestação, que foi dispersada pela Polícia Federal, que recebeu ovos e chutes dos manifestantes. Ainda na entrevista às rádios, Lula disse que a demarcação não é para ser discutida, mas cumprida. "Há uma decisão da Suprema Corte que diz o que é para fazer nessas terras. Não depende dos ministros, não depende do presidente da República. A gente cumpre e acabou".

 

"Depois da demarcação da Raposa Serra do Sol, se tiver outra área que tiver de ser demarcada, vamos demarcar. O que precisa é desenvolver Roraima porque área não demarcada é equivalente ao Estado de Sergipe".

 

O presidente também reafirmou na entrevista seu desejo de ver a Venezuela como integrante do Mercosul. "Acho que tem um equívoco de gente que pensa que a Venezuela não deve entrar no Mercosul. Não só porque a Venezuela é parceira do Brasil, mas porque a Venezuela é um país forte e precisamos de um grande bloco financeiro no continente."

 

Ainda durante entrevista, Lula anunciou que no final do mês será divulgado que em setembro foram gerados 150 mil empregos no país, o que para ele demonstra que o país `sentiu pouco' a crise econômica mundial. "O Brasil foi o último a entrar e o primeiro a sair dessa crise".

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