Lula defende solução global para crise financeira

Em discurso na abertura daAssembléia-Geral da ONU, nesta terça-feira, o presidente LuizInácio Lula da Silva defendeu que as soluções para a crisefinanceira global sejam tratadas por organismos multilaterais. Lula destacou que as intervenções do Estado, "contrariandoos fundamentalistas do mercado", mostram que a política sesobrepõe à economia e que os governantes precisam agir paracombater a "desordem" nas finanças internacionais. Mencionando o economista brasileiro Celso Furtado, Luladisse que "é inadmissível que os lucros dos especuladores sejamsempre privatizados e suas perdas invariavelmentesocializadas". Para Lula, a resolução de crise tão grave não pode serdeixada aos fóruns econômicos, e exige a presença dos Estadosnacionais. "Os organismos econômicos supranacionais carecem deautoridade e de instrumentos práticos para coibir a anarquiaespeculativa. Devemos reconstruí-los em bases completamentenovas", propôs Lula. "Dado o caráter global da crise, as soluções que venham aser adotadas deverão ser também globais, tomadas em espaçosmultilaterais legítimos e confiáveis, sem imposições",acrescentou. O presidente atribuiu à ONU a responsabilidade de convocaros países para contribuir na solução da crise. "Das Nações Unidas, máximo cenário multilateral, devepartir a convocação para uma resposta vigorosa às ameaças quepesam sobre nós", afirmou. DOHA E BIOCOMBUSTÍVEL A crise dos alimentos também foi tratada no discurso deLula, que abordou também os riscos para o comércio mundial semum acordo em Doha. "Minha obsessão com o problema da fome explica o empenhoque tenho tido, junto a outros líderes mundiais, para chegar auma conclusão positiva da Rodada Doha", disse Lula. "Continuamos insistindo em um acordo que reduza osescandalosos subsídios agrícolas dos países ricos", frisou ele,destacando o impacto positivo que o acordo teria na produção dealimentos, sobretudo nos países pobres e em desenvolvimento. Depois de destacar o papel que vem sendo cumprido porarticulações dos países em desenvolvimento, como o G-20, osBrics e a Unasul, Lula conclamou a reforma do Conselho deSegurança da ONU, cuja representação, considerou, está"distorcida" e é "obstáculo" ao multilateralismo. "As Nações Unidas discutem há 15 anos a reforma do Conselhode Segurança. A estrutura vigente, congelada há seis décadas,responde cada vez menos aos desafios do mundo contemporâneo",criticou Lula. O presidente rebateu ainda o que classificou de tentativade associar a crise dos alimentos aos biocombustíveis. Luladisse que a acusação não resiste à análise da realidade. "O etanol de cana-de-açúcar diminui a dependência decombustíveis fósseis, regenera terras deterioradas e éplenamente compatível com a expansão da produção de alimentos",defendeu. Lula disse que o Brasil quer aprofundar o debate sobre obiocombustível na conferência mundial sobre o tema, emnovembro, em São Paulo. (Reportagem de Isabel Versiani e Walter Brandimarte, Ediçãode Mair Pena Neto)

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