Lula defende revisão da faixa de fronteira

Para evitar polêmica, ele frisou que pequeno agricultor será favorecido

Elder Ogliari, PORTO ALEGRE, O Estadao de S.Paulo

04 de abril de 2008 | 00h00

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu a entender ontem, durante solenidade em Porto Alegre, que pode apoiar projetos em tramitação no Congresso que reduzem a faixa de fronteira do País. "Não tem nenhum sentido este Estado ainda ter área delimitada de fronteira de 150 quilômetros", declarou Lula, na cerimônia de assinatura de convênios do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) na capital gaúcha. "Antigamente tinha justificativa, porque se pensava em guerra com a Argentina. Ninguém quer fazer guerra com a Argentina, nem a Argentina quer guerra com a gente", disse.Como o tema é polêmico entre os gaúchos e mesmo na sua base de apoio, Lula tratou de abrandar o discurso em seguida, ressalvando que o Brasil não pode mudar a lei apenas para permitir plantações de eucaliptos e pinus para a indústria da celulose. "Precisamos pensar uma forma mais justa de desenvolvimento, que não envolva apenas uma fábrica, mas também milhares de pequenos agricultores produzindo e tendo renda", afirmou.Uma proposta de emenda constitucional do senador Sérgio Zambiasi (PTB-RS), aprovada em 21 de janeiro pela Comissão de Constituição de Justiça (CCJ) do Senado, reduz de 150 para 50 quilômetros a faixa de fronteira do Chuí (RS) até a divisa de Mato Grosso do Sul com Mato Grosso.O projeto de Zambiasi é apoiado pela maioria dos prefeitos e deputados da região. No entanto, a idéia é combatida por sem-terra e pequenos agricultores, que acusam os políticos de retirarem entraves legais para as plantações de eucalipto que a empresa sueco-finlandesa Stora Enso planeja fazer na região.PROTESTOLula foi recebido por uma platéia de 5 mil pessoas, que o aplaudiu pela assinatura de convênios com prefeitos para autorizar a construção de casas e redes de esgoto, além de ações de urbanização e apoio financeiro a policiais. Mesmo assim, teve de repreender os presentes.O público, formado majoritariamente por simpatizantes do PT, vaiou a governadora Yeda Crusius (PSDB), que abreviou o discurso, afirmando que a manifestação era um prenúncio da campanha eleitoral. Lula abraçou a governadora e pediu para fazer uma ponderação ao público presente.O presidente destacou que o lançamento de obras do PAC é um ato institucional, não político-partidário. Também cutucou a imprensa, prevendo que a vaia receberia mais ênfase que os investimentos do PAC.Lula ressaltou que não está em campanha eleitoral, porque, para isso, teria de escolher um entre vários candidatos de sua base aliada e poderia ser cobrado quando pedisse apoio de parlamentares de sua base aliada. "A campanha presidencial é em 2010 e eu não posso ser candidato porque a Constituição determina apenas dois mandatos", reiterou.

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