Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Lula defende retomada do emprego em debate sobre reforma trabalhista, dizem sindicalistas

Ex-presidente, porém, evita falar em revogação da medidas aprovadas em outros governos caso seja eleito

Luiz Vassallo, O Estado de S.Paulo

11 de janeiro de 2022 | 20h55
Atualizado 11 de janeiro de 2022 | 21h29

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu nesta terça-feira, 11, com representantes do governo espanhol e líderes sindicais para discutir a reforma trabalhista que ocorreu no país europeu. O exemplo espanhol pode servir de base para mudanças defendidas pelo PT em eventual plano de governo de Lula. Como mostrou o Estadãoo partido quer revogar reforma trabalhista aprovada no governo Michel Temer.

O encontro de Lula com as centrais ocorreu na sede da Fundação Perseu Abramo, em São Paulo. Os espanhóis participaram via internet.

Líderes sindicais que estiveram no evento disseram ao Estadão que Lula defendeu a retomada do emprego no País e de mudanças que proporcionem esse cenário. No entanto, segundo esses relatos, o ex-presidente não disse se, caso eleito, pretende revogar a reforma promovida por Temer em 2017.

O ex-governador Geraldo Alckmin, potencial candidato a vice de Lula, se disse preocupado com as declarações em conversa com Paulinho da Força, que tenta trazê-lo para o Solidariedade. Após deixar o evento, no entanto, o presidente da Força, Miguel Torres, defendeu a revisão da reforma e  o diálogo com o empresariado e a sociedade.

Ao Estadão, Miguel Torres acredita que é “impossível” revogar a reforma de Temer. E minimizou possíveis estremecimentos entre Lula e possíveis aliados mais ao centro, como Alckmin e Gilberto Kassab, que foi ministro de Temer e defendeu a reforma trabalhista. 

“Tenho certeza de que os bons brasileiros querem que o País cresça. Não estamos falando da revogação da legislação, é óbvio que queremos isso, mas sabemos que é impossível. Temos de ter deputados da base trabalhadora. Não adianta pensar o que é impossível. O que queremos é diálogo social. Como o que foi feito lá. Vai ter dificuldade, lógico. Mas sabemos que é o caminho”, disse. 

Segundo ele, Lula não mostrou ter uma proposta pronta de como fará mudanças na lei trabalhista, caso eleito. “Ele valorizou a negociação. Esse fato de estar conversando com a sociedade é importante. Ele em nenhum momento falou de fazer uma coisa ou outra. Ele disse: é preciso ter diálogo, coisa que não temos hoje”.

Sérgio Nobre, da CUT, defendeu diálogo com empresários e os sindicatos. “Nós tivemos uma reforma em 2017 que foi o oposto. Não dialogou com ninguém”, afirma.

A reunião se iniciou às 16h e foi encerrada por volta das 19h30. Presidente da Fundação Perseu Abramo, o ex-ministro Aloizio Mercadante deixou o local sem fazer comentários – ele coordenou o debate.  O evento foi fechado, e sem acesso de jornalistas. Ao fim, Lula e sua equipe deixaram rapidamente o local por saída na lateral da institução e saíram de carro.

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