Gabriela Biló/ Estadão
Gabriela Biló/ Estadão

Lula defende que Temer peça antecipação de eleições presidenciais

Ex-presidente também comentou condenação de Palocci: 'Não tem nenhuma prova a não ser a delação'

Elisa Clavery, O Estado de S.Paulo

27 de junho de 2017 | 09h05

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu, nesta terça-feira, 27, que o presidente Michel Temer (PMDB), denunciado ontem pela Procuradoria Geral da República (PGR) por corrupção passiva, renuncie e peça a antecipação de eleições presidenciais diretas imediatamente. Para o petista, Temer deve ou não tomar essa decisão a "depender da pressão" da sociedade.

"O ideal seria um processo mais tranquilo e que o próprio Temer pudesse pedir a antecipação das eleições e a gente pudesse escolher, antes de outubro de 2018, um novo presidente da República, um novo Congresso Nacional", disse o ex-presidente em entrevista à Rádio Itatiaia de Minas Gerais. "Eu defendo as diretas imediatamente."

Para o ex-presidente, "a sociedade precisa de alguém eleito democraticamente pelo povo". Lula pondera, ainda, que apesar de Temer ter maioria no Congresso, "essa maioria está fragilizada tal é a grandeza da vontade da sociedade que o Temer deixe a Presidência".

Réu em cinco ações penais por corrupção, lavagem de dinheiro e obstrução de Justiça, Lula afirmou que é preciso investigar o que há contra o presidente para "saber se são verídicas as denúncias". "O Temer pode cair, mas um processo qualquer que aconteça contra um presidente ou contra qualquer ser humano precisa ser investigado", disse à rádio. "Se tiver provas concretas, efetivamente o Temer não tem como continuar.  

Lula disse, ainda, que não se arrepende de ter feito aliança com o PMDB enquanto estava na Presidência. "No momento, era extremamente necessário e eu não tinha bola de cristal para saber que o Temer ia dar golpe na Dilma e ajudar a fazer o impeachment."

Palocci. No dia seguinte à condenação do ex-ministro de seu governo, Antonio Palocci, pelo juiz federal Sérgio Moro, Lula falou brevemente sobre a sentença. "O Palocci foi condenado ontem, não tem nenhuma prova a não ser a delação. Fica palavra contra palavra e a pessoa não pode ser condenada por isso", criticou. "A delação não pode ser avacalhada". 

Lula aguarda, agora, a sentença de Moro relacionada ao triplex no Guarujá, mas negou qualquer fato ilícito e voltou a falar que os procuradores da Lava Jato não apresentaram provas que pudessem condená-lo. Segundo o petista, "estamos vivendo quase que um Estado policial", mesma expressão usada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, na semana passada

"As pessoas não tem que ter prova, as pessoas são grampeadas, as pessoas são ouvidas. Até um presidente da República foi grampeado e gravado da forma mais ilegal possível", disse. Sem se alongar na crítica, Lula não especificou se falava da gravação entre Temer e o empresário Joesley Batista, da JBS, ou se fazia referência à conversa entre ele e a ex-presidente Dilma Rousseff (PT), gravada no ano passado pela Operação Lava Jato e divulgada por Moro. 

2018. O ex-presidente comentou o levantamento feito pelo instituto Datafolha e divulgado nesta segunda-feira, 26, em que ele aparece em primeiro lugar nas intenções de voto para 2018. Repetiu que, "se for necessário, será candidato" e disse que, neste cenário, "a possibilidade de ganhar as eleições é muito grande".

O petista disse, ainda, que acha que outros nomes da esquerda vão aparecer, sem citar diretamente nenhum presidenciável, e afirmou que o processo de campanha vai fazer com que os candidatos cresçam. 

Assista na íntegra à entrevista do ex-presidente Lula:

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