Lula defende plebiscito sobre reforma política

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta terça-feira a realização de um plebiscito para reforma política, bandeira encampada pelo PT após a Câmara dos Deputados enterrar a proposta sugerida pela presidente Dilma Rousseff. "Vamos fazer a reforma política, vamos fazer plebiscito. Por que temos medo dessas coisas?", questionou o ex-presidente, durante discurso no Festival Latinidades - Festival da Mulher Afro Latino Americana e Caribenha, em Brasília.

DAIENE CARDOSO, Agência Estado

23 de julho de 2013 | 20h37

Lula disse que vê de forma positiva as manifestações populares registradas em junho e que "democracia não é um pacto de silêncio". "A humanidade nunca pode se conformar com o que conquista", afirmou.

Para ele, é mais preocupante o movimento de negação da política, que se aproxima da ditadura. "Você pode não gostar de um partido. Você pode não gostar de um deputado. Você pode não gostar de um senador. Você tem o direito de achar que todo mundo é ladrão, que é corrupto. Agora, quando você tiver pensando assim, da forma mais radical, em vez de você desanimar da política, em vez de achar que eu sou o político perfeito que você quer, o político perfeito está dentro de cada um de vocês", disse.

À plateia que lotou o auditório do Museu Nacional, Lula reforçou que "fora da política não tem solução" e que não existe nada melhor que a democracia. "O que incomoda muita gente é o pobre fazendo política", concluiu.

Bem-humorado, Lula brincou com a multa da campanha presidencial de 2010 que ainda não pagou. Ele lembrou que seu partido, o PT não pagará os valores impostos pela Justiça Eleitoral e que a dívida de R$ 10 mil ficou para ele. "É uma desgraça, sou eu quem tem que pagar".

Até o episódio da espionagem dos Estados Unidos não escapou dos comentários irônicos do ex-presidente. Ao falar sobre a política externa brasileira nos últimos anos e a participação do Brasil em blocos de países emergentes e da América Latina sem a participação dos Estados Unidos e Canadá, Lula não resistiu: "E agora estão escutando o nosso telefone. Acho que o Obama está ouvindo, aqui.", brincou.

O ex-presidente participou nesta terça-feira do "Festival Latinidades - Festival da Mulher Afro Latino Americana e Caribenha". Ele tinha participação marcada em uma conferência especial sobre desigualdades de gênero e raça, "políticas públicas e ações afirmativas no governo Lula e sua atuação pós-mandato".

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