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Lula defende Matilde na posse do substituto

Ao lado de Edson Santos, presidente diz que ex-titular não cometeu crime

Leonencio Nossa, O Estadao de S.Paulo

21 de fevereiro de 2008 | 00h00

Ao dar posse ao novo ministro da Secretaria Especial da Igualdade Racial, deputado Edson Santos (PT-RJ), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a ex-titular da pasta, Matilde Ribeiro - que pediu demissão do cargo no dia 1º de fevereiro, dias depois de o Estado revelar que ela era a campeã de gastos com o cartão corporativo do governo. "Faço um apelo para que vocês se unam no projeto do estatuto em nome da companheira Matilde, que saiu do governo sem ter cometido um crime, um delito", afirmou. "Numa conversa franca com ela, eu disse que não valia a pena ser massacrada e triturada para continuar no cargo." Mas ressaltou: "A gente tem de evitar cometer erros e fazer as coisas mais aprimoradas."O mesmo tipo de afago feito a Matilde Lula já havia reservado a outros ex-auxiliares demitidos após envolvimento em escândalos. "Feliz do país que tem um político da magnitude do José Dirceu", disse sobre o ex-ministro acusado pelo Ministério Público de ser peça-chave no esquema do mensalão. A respeito do ex-ministro Antonio Palocci, que caiu depois de ser acusado de ordenar a violação do sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos Costa, afirmou: "Nossa relação é de companheiro, possivelmente mais do que a relação de um irmão."A posse de Santos foi marcada por uma confusão burocrática. Lula anunciou que a Secretaria da Igualdade Racial havia virado ministério. Cerca de mil pessoas ligadas ao movimento negro, que se espremiam nas dependências do palácio, aplaudiram de pé o presidente. E até cantaram o jingle de campanha - "olê,olê, olê, olá, Lula, Lula". Mas novo ministério não durou quatro horas. No início da tarde, o Planalto comunicou oficialmente que a secretaria continuava com o status original. Lula teria se confundido sobre a medida provisória. O texto apenas estabelecia que Santos assumiria o cargo de ministro de Estado, sem mudança na forma da pasta. A MP era apenas uma saída jurídica para que ele não precisasse renunciar ao mandato parlamentar. A Constituição não prevê licença para deputado assumir cargo que não seja de ministro de Estado.VIAGENSLula orientou Santos a não se importar com as críticas às viagens. "Não se preocupe, pois tem gente que se habituou a ver governos entocados aqui dentro, por quatro anos, fazendo política pelo que lia", disse. "Além de ler, você precisa sair por este país, vai ver que existem mais negros discriminados do que na periferia do Rio."Em entrevista após a cerimônia, Santos, que começou a trajetória política como líder comunitário de Cidade de Deus, reconheceu as deficiências da pasta e não demonstrou a mesma euforia da platéia. Avaliou que vai chefiar um "ministério meio", isto é, um órgão que atua na articulação com outras pastas. O novo ministro disse que o Brasil não é uma democracia racial e defendeu cotas para que jovens negros tenham acesso às universidades.

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