Lula defende Irã e critica sanções por questão nuclear

Presidente diz que país 'não cometeu nenhum crime' e que não merece 'ser punido antecipadamente'

BBC,

25 Setembro 2007 | 19h52

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que "o Irã não cometeu nenhum crime contra toda a orientação da ONU com relação à arma nuclear" e que o país não merece "ser punido antecipadamente". O comentário do presidente foi uma resposta à pergunta da BBC Brasil sobre qual a postura brasileira quanto à proposta de ampliação de sanções contra os iranianos - defendida pelo presidente americano, George W. Bush, e pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy.  Leia também:Presidente iraniano diz que 'questão nuclear está encerrada' Bush ignora Irã e pede defesa da democraciaSarkozy: permitir Irã nuclear pode gerar guerra O presidente comentou que "se ele (o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad) quer enriquecer urânio, tratar a questão nuclear como uma coisa pacífica, como o Brasil faz, é um direito do Irã". Mas acrescentou: "Agora, todos nós, o Brasil, o Irã e qualquer outro país estamos subordinados às orientações das Nações Unidas."  Lula, que realizou o discurso de abertura da Assembléia Geral da ONU, se encontrou na segunda-feira com Bush e se reuniu com Sarkozy nesta terça-feira. Em relação à possibilidade de as sanções contra o Irã serem intensificadas, Lula afirmou: "Sou um homem que acredita nas negociações. Ninguém deve ser punido antecipadamente". Visita de Ahmadinejad Na segunda-feira, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse que não julgava a ampliação de sanções contra o Irã oportunas neste momento. Segundo notícia publicada pelo jornal O Estado de São Paulo, o presidente Ahmadinejad, que deverá ir à Venezuela e à Bolívia nesta semana, pretendia no caminho desembarcar em Brasília. Mas o Itamaraty teria negado o pedido, alegando impossibilidade de conciliar a agenda do iraniano com a do presidente Lula. Na agenda do brasileiro, já está marcado um encontro com o presidente do Cazaquistão, Nursultan Nazarbayev, que visita o Brasil na quinta-feira. Ahmadinejad havia proposto a Lula a realização de visitas recíprocas, durante a posse do presidente do Equador, Rafael Correa, em janeiro deste ano.

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