Lula defende incentivos fiscais para regiões mais pobres

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que o governo decidiu fazer política industrial, apesar das críticas de adversários. Ele defendeu incentivos fiscais para o desenvolvimento de regiões mais pobres. "O Estado tem um papel importante na definição das prioridades das regiões que precisam ser desenvolvidas, inclusive na questão do financiamento", afirmou. "Nós temos consciência de que o Estado não pode se recusar (a fazer política industrial) e deixar apenas para o mercado cumprir esse papel, porque nem sempre o mercado tem condições de fazer", acrescentou o presidente, na cerimônia de inauguração da fábrica de pneus Continental.No início da tarde, na visita à fábrica da Ford, Lula reclamou dos "tecnocratas e burocratas" contrários aos incentivos fiscais. Mas um pouco antes, o presidente da Ford na América do Sul, Antonio Maciel Neto , lembrou, sem fazer citações ao partido do presidente, o PT, das dificuldades e das críticas enfrentadas pela Ford para instalar a fábrica em Camaçari, em 1999. "A maioria nem se lembra mais do que foi essa jornada", disse. "A Ford enfrentou dois preconceitos: o primeiro, é que o Estado não podia fazer o desenvolvimento social. E o segundo, é que o nordeste não podia sediar uma fábrica", lembrou o executivo. Na época o PT era contra o incentivo à indústria para a instalação no Nordeste. Lula reconheceu a atuação petista na época. "Você disse bem", afirmou Lula, dirigindo-se a Maciel. "No Brasil tinha esse preconceito. E está provado que tem de ter política industrial", afirmou.Para o governador da Bahia, Paulo Souto (PFL), as declarações de Lula foram um mea-culpa pelo fato da bancada petista, no Congresso, ter se oposto, na época, à concessão de incentivos fiscais à Ford.Polícia cambialLula disse que a política cambial não será alterada por decreto, medida provisória ou mágica, mas sim com a seriedade da política econômica e o comportamento do empresariado brasileiro. Em discurso na inauguração da fábrica de pneus Continental, ele defendeu o aumento das exportações de produtos brasileiros e a importação de máquinas para modernizar a indústria nacional. Ele ressaltou que os empresários devem ter certeza que os juros chegarão ao patamar desejado e fazer investimentos no País. No discurso, o presidente disse que faz discursos otimistas, em razão do cargo que ocupa. "O dia em que vocês forem presidente (dirigindo-se a funcionários da empresa) vão perceber que qualquer que seja a notícia ruim terão de levantar de bom humor e passar para a sociedade otimismo e alegria", disse Lula.

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