Lula defende governo de coalizão durante posse de ministros

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, nesta quinta-feira, 29, sua estratégia de criar um governo de coalizão no segundo mandato. Lula afirmou que propositalmente preferiu chamar pessoas que o criticam para fazer parte de seu governo porque precisa de várias visões diferentes para fazer um bom trabalho. Bem-humorado, Lula deu sinais claros de que pretende criar sintonia entre os diversos partidos e nomes que formam a coalizão. "Companheiros, quando a gente vai construir uma coalizão, a gente não quer juntar os mesmos que nos apóiam, pois uma coalizão pressupõe estabelecer um grandeza interior capaz de estar ao lado de pessoas que até ontem falavam mal de você, na disputa política", disse. "Muita gente me dizia: Lula, você está montando um governo com pessoas que faziam muita crítica. O Geddel (Geddel Vieira Lima , ministro da Integração Nacional) fazia crítica, o Lupi, fazia crítica, não sei se o Miguel Jorge (ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior)fazia crítica a mim. Se fazia, não era pela frente", justificou o presidente, rindo.Cada vez mais à vontade nos discursos em que faz, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deu posse a cinco novos ministros, nesta quinta. Miguel Jorge assume a pasta do Desenvolvimento e Comércio Exterior, no lugar de Luiz Fernando Furlan, Carlos Lupi (PDT) recebe a pasta do Trabalho, Franklin Martins fica com a Secretaria de Comunicação Social da Presidência, Luiz Marinho muda-se para Previdência e Alfredo Nascimento retorna aos Transportes.Novos ministrosO primeiro nome a ser anunciado pelo presidente durante a cerimônia foi o do senador Alfredo Nascimento, que retorna ao Ministério dos Transportes pouco mais de um ano após sair para concorrer nas eleições do ano passado. Inicialmente, Lula elogiou Paulo Sérgio Passos, que foi ministro interino dos Transportes durante o último ano."Paulo Sérgio foi uma das mais gratas surpresas que tive no governo. Com esse jeito simples dele, conseguiu imprimir ao Ministério um ritmo que em alguns casos até assustou alguns companheiros. Ele foi preponderante na elaboração das medidas para o setor de transportes incluídas no Programa de Aceleração do Crescimento", disse.Em elogio simultâneo a Passos e Nascimento, Lula destacou, dirigindo-se a empreiteiros presentes à cerimônia no Planalto, que nunca, no Brasil, esses empresáriosreceberam "tão em dia como está acontecendo". Na platéia, empresários concordaram balançando a cabeça. Segundo o presidente, antes, "o governo fingia que pagava, as empresas fingiam que faziam as obras, e pelo Brasil eram vistas máquinas paradas meses e anos."Logo depois, o presidente fez uma advertência ao senador: "não se deixe abater nunca, Alfredo, porque adversários é que não faltam, sobretudo agora que o Ministério dos Transportes tem muito dinheiro". Acrescentou, em mais uma demonstração de bom humor, que existe como provar que "um pouco de competência e um pouco de dinheiro, juntando a fome com a vontade de comer, pode resolver os gargalos nas rodovias, ferrovias, portos e aeroportos". Mas, ressaltou, "reze para a Dilma estar de bom humor todo dia".Sem-diploma no DesenvolvimentoSeguindo o ritmo de elogios aos ministros que estavam deixando o cargo, o presidente elogiou a competência com que Luiz Fernando Furlan conduziu o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. "Não sei se teve na história deste País alguém com tanta dedicação no Ministério do Desenvolvimento, como o Furlan", disse Lula. O presidente destacou o resultado da balança comercial, lembrando que quando assumiu, as exportações totalizavam US$ 60 bilhões e atualmente chegam a US$ 140 bilhões. O superávit comercial, destacou, era de US$ 13 bilhões e fechou 2006 em US$ 46 bilhões.Lula também destacou as reservas internacionais do Brasil, que saltaram de US$ 16 bilhões, no início do governo, para cerca de US$ 110 bilhões. "Não sei de além da China e da Índia se há algum país com mais de US$ 100 bilhões em reservas. Eu ficava sonhando com o dia que o Brasil tivesse US$ 90 bilhões. Eu achava que a gente ia ter muita credibilidade e o risco País ia cair. E hoje passamos dos US$ 100 bilhões e não há nada que dê tanta segurança ao País", disse o presidente.Durante o discurso, o presidente fez questão de ressaltar que, assim como ele, Miguel Jorge também não tem formação no âmbito superior. "Um sujeito que tem muito tempo no Estadão, na Autolatina e, agora, no Santander está preparado para lidar com os problemas que afetam a agenda de desenvolvimento deste País. Se você tiver no governo a desenvoltura que você teve na sua vida profissional, certamente a continuidade do trabalho do Furlan será extraordinária", disse Lula, que espera que um dia o Brasil tenha exportações de US$ 300 bilhões. "Temos que pensar grande", disse o presidente.

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