Lula defende exaltação a números do ProJovem

Reportagem sobre realizações do programa deve merecer 'Prêmio Esso', diz presidente

Carmen Pompeu/FORTALEZA - Especial para o 'Estado'

09 de junho de 2010 | 00h03

"Quem imaginar que vou deixar a política e vou viajar para o estrangeiro vai quebrar a cara. Quem imaginar que vou deixar a a política e vou ficar em casa ao lado da Marisa vai quebrar a cara. Vou continuar fazendo política. Vou continuar andando por este país e vou continuar ajudando o povo brasileiro a conquistar definitivamente a sua cidadania."

 

Foi com esse recado, destinado aos adversários, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva encerrou, na tarde de ontem, o discurso para jovens atendidos pelo ProJovem Urbano.

 

O programa, lançado em Fortaleza em junho de 2005, contabiliza 13 mil atendimentos de pessoas entre 18 e 29 anos que não haviam concluído o Ensino Fundamental.

 

Ao lado da prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins (PT), do governador do Ceará, Cid Gomes (PSB), e de outros políticos, Lula discursou para uma plateia de estudantes no Ginásio Paulo Sarasate.

 

Aos jornalistas disse que deveriam fazer uma matéria ressaltando os números do programa e enaltecendo as conquistas dos jovens atendidos por ele. Bem humorado, prometeu dar para o autor da melhor matéria um beijo e um abraço, no caso de ser uma mulher, ou um abraço, se fosse homem. "Se vocês querem ganhar o Prêmio Esso de Jornalismo façam uma matéria sobre este assunto."

 

Lula leu o exemplo de Eliane, 27 anos, mãe d e quatro garotos e já viúva. Disse que ela havia parado de estudar na 5.ª série e voltou a estudar graças ao ProJovem Urbano. Ao citar que 60% dos jovens atendidos são mulheres e já com filhos, o presidente disse. "São meninas que deveriam estar brincando de ser meninas e já são mães", observou, emendando uma reflexão. "Uma mulher encontra um homem em qualquer lugar do mundo. Um homem encontra uma mulher em qualquer lugar. Mas oportunidade é como achar agulha num palheiro", disse. "Sou um presidente que estudou até a 4.ª série e fez curso no Senai. Perdeu três eleições. Mas esse presidente não desistiu nunca."

 

Dizendo se sentir triste ao lembrar que no início de sua vida pública recebeu o apoio de universitários e professores enquanto os mais pobres lhe davam rabissaca, ele continuou. "Não acreditavam que um igual a eles ( pobres) podia ser presidente da República", afirmou. "Mas saibam que a maioria dos políticos brasileiros só gosta de pobre em época de eleição. Na eleição, pobre é coisa nobre."

 

‘Não vou parar’. Após deixar a Presidência, Lula pretende descansar um pouco, mas não se afastará da política e quer repassar sua experiência para países pobres da América Latina e África. "Quero parar um pouco dentro de casa, sabendo que sou dirigente político e vou continuar fazendo política", discursou.

 

O presidente disse que vai continuar viajando pelo Brasil, convivendo com amigos, ajudando naquilo que for possível no Brasil e em países mais pobres. "Eu não vou parar. Até porque eu tenho muita contribuição a dar."

 

Lula afirmou ainda que sentirá saudade do cargo. "Não sinto nenhum peso em governar um País. Acho que não vou morrer de saudade, mas vou ter saudade das coisas, das convivências, das andanças e de colher o sucesso que estamos colhendo."

 

No encerramento do discurso, ele disse: "Quando terminar meu mandato não vou para Paris, não vou para Londres. Eu vou ficar no Brasil."

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