Lula defende em conferência contrato social para o mundo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu hoje, durante a conferência "Fazendo com que a globalização beneficie a todos", promovida pelo Tesouro britânico, a necessidade de a comunidade internacional elaborar um "Contrato Social do Novo Mundo". Lula, que participou do evento através de uma mensagem gravada em vídeo, reiteirou a necessidade de se atingir até 2015 as ´Metas de Desenvolvimento do Milênio´, inclusive como forma de se combater a violência e o terrorismo internacional."Os países ricos sabem muito bem que é do seu próprio interesse dar um apoio para aqueles que ainda estão distantes de atingir essas metas", disse o presidente. "Afinal, a paz e estabilidade mundial dependem no resultado desse desafio", enfatizou.Segundo Lula, "talvez a maior contribuição que podemos fazer hoje para ajudar a superar a fome será a eliminação dos subsídios agrícolas nos países ricos". O presidente acrescentou: "Quem sabe? No próximo encontro da Organização Mundial do Comércio (OMC) poderemos atingir isso". Por problemas técnicos, a mensagem em vídeo de Lula, com duração de cerca de dez minutos, não ficou muito clara entre 150 participantes do evento em Londres. A tradução para o ingles da fala do presidente já veio gravada do Brasil e a sobreposição das vozes de Lula e do tradutor tornaram o audio praticamente incompreensível. Por isso, após o discurso de Lula, o presidente do Banco Mundial, James Wolfensohn, fez um resumo da fala do chefe de Estado brasileiro.O evento se concentrou sobre a proposta do chanceler britânico Gordon Brown de criação de um mecanismo de financiamento internacional (International Finance Facility, IFF) cujo objetivo é o de dobrar o volume de ajuda financeira oferecido pelos países ricos às nações pobres. Brown acredita que o IFF podera ajudar no cumprimento das ´Metas de Desenvolvimento do Milênio´, que prevêm que até 2015 todas as crianças do mundo tenham acesso a educação, que a mortalidade infantil seja reduzida em dois terços e a mortalidade maternal decline 50% e que a miséria seja cortada em 50%.O príncipio básico do IFF é a concessão de empréstimos condicionais de longo prazo aos países mais pobres. Para a obtenção desses recursos, os governos das nações pobres teriam que dar sinais concretos de implementação de reformas econômicas e sociais. Além dos fluxos anuais de contribuições dos países ricos, o IFF seria também financiado com recursos dos mercados de capitais interncionais. A meta é elevar os atuais US$ 50 bilhões anuais em ajuda aos países pobreso para US$ 100 bilhões por ano até 2015. A IFF teria uma duração de cerca de 15 anos, e o período de pagamento da dívida pelos países pobres se estenderia por trinta anosLula elogiou a iniciativa de Brown e lembrou que no final do mês passado, em Genebra, juntamente com o presidente da França, Jacques Chirac; do Chile, Ricardo Lagos; e o secretário-geral da ONU, Koffi Anann, foi acertada a criação de um grupo técnico que irá examinar as várias propostas para mecanismos de financiamento alternativos para o combate à fome. Entre eles, a criação de um imposto sobre algumas transações internacionais como o comércio de armas, e a proposta de Brown. "O Brasil está fazendo a sua parte e pode fazer muito mais se trabalhar juntamente com parceiros internacionais", disse o presidente.Bird diz que Lula é um dos grandes líderes do mundo

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