Lula defende divulgação de gastos com cartões, exceto com segurança

'Segurança é questão de Estado' e precisa ser sigilosa, diz presidente em Macapá.

Denize Bacoccina, BBC

12 de fevereiro de 2008 | 22h20

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que todos os gastos do governo devem ser divulgados na internet, com exceção dos gastos com segurança. Ele não chegou a explicar em detalhes, entre os gastos da Presidência, quais gastos considera relacionados à segurança."Pra mim só tem um gasto que não deve ser explicitado e detalhado, que é o gasto com segurança", afirmou o presidente nesta terça-feira à noite em entrevista no aeroporto de Macapá, pouco depois de uma visita à Guiana Francesa e antes de embarcar de volta para Brasília."Quando se trata de segurança é uma questão de Estado e aí tem que ser efetivamente sigiloso", afirmou ao ser questionado sobre a intenção do governo de continuar divulgando na internet as faturas dos cartões corporativos do governo.O presidente disse que devem ser divulgados inclusive os gastos com a Presidência."Na minha opinião, o que não for segurança pessoal do presidente e da família do presidente (deve ser divulgado)", afirmou.Lula disse que a instituição da Presidência deve ser respeitada, independente do ocupante do cargo, e reclamou que as pessoas "banalizam a Presidência" e "precisam aprender a respeitá-la".Lula defendeu o uso dos cartões corporativos como a maneira mais transparente de lidar com os gastos públicos. A publicação das faturas no Portal da Transparência, da Controladoria-Geral da União, revelou que no ano passado ministros usaram o cartão para gastos proibidos por lei, como despesas durante o período de férias ou compras pessoais."Os cartões são a forma mais séria e mais transparente de você cuidar dos gastos públicos. Não tem outra mais séria. O que nós precisamos é, a partir das deficiências, fazer as correções necessárias e continuar colocando na internet para que a sociedade brasileira tenha as informações. Eu acho que todo mundo tem que mostrar concretamente o que é gasto todo santo dia", disse o presidente.O argumento de que os gastos da Presidência deveriam ser sigilosos por razões de segurança foi apresentado por alguns ministros, entre elas a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef.Para ela, deveriam se enquadrar nesta situação inclusive as compras de alimentos para o Palácio da Alvorada. O presidente Lula não chegou a falar sobre estes detalhes.CPIA CPI dos Cartões, que vai investigar os gastos do governo pagos por este meio de pagamento não deve paralisar as votações no Congresso, na avaliação do presidente Lula."A CPI não vai atrapalhar em nada", afirmou.Lula disse que a reforma tributária, que será enviada este mês pelo Executivo, "é uma necessidade brasileira"."Desde que eu me conheço por gente as pessoas falam da necessidade de fazermos uma reforma tributária e toda vez que a gente manda um projeto para a Câmara um ou outro tem divergência. O que eu quero é que fique explícito quem quer e quem não quer a política tributária", afirmou.Lula voltou a falar sobre o bom momento da economia brasileira e da resistência diante da crise nos Estados Unidos. "Estou convencido que nada, absolutamente nada, a não ser a força de Deus, pode impedir que o Brasil conquiste o espaço que está reservado ao Brasil no mundo contemporâneo. Se Deus está conosco, quem está contra nós", disse o presidente."Tem uma parte da oposição que fica sempre torcendo para as coisas não darem certo, porque se derem errado eles acham que vão ganhar o processo eleitoral. Todos nós temos que torcer para que este país dê certo", afirmou.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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