Lula defende culto a 'heróis' e não incriminação de 'vilões'

Após decretar o fim da polêmicano governo sobre a revisão da Lei de Anistia, o presidente LuizInácio Lula da Silva defendeu nesta terça-feira que a sociedadeaprenda a cultuar seus "heróis" e não busque apenas incriminaros "vilões" da história. Segundo Lula, os brasileiros têm dificuldade em valorizaros seus mortos e disse que o último herói para o povobrasileiro foi Tiradentes. "Nós precisamos tratar um pouco melhor os nossos mortos...Toda vez que nós falamos dos estudantes que morreram, dosoperários que morreram, nós falamos xingando alguém que osmatou, quando na verdade esse martírio nunca vai acabar se agente não aprender a transformar os nossos mortos em heróis enão em vítimas", disse Lula. A declaração foi feita em discurso durante assinatura demensagem de projeto de lei que prevê a reconstrução do prédioda União Nacional dos Estudantes, incendiada durante a ditaduramilitar, em 1980. Os ministros da Justiça, Tarso Genro, e dos DireitosHumanos, Paulo Vannuchi, defenderam recentemente que a Lei daAnistia não deveria valer para torturadores. Alegam que atortura não é crime político, perdoado pela anistia, e simcrime hediondo. Na segunda-feira, Lula determinou que osministros fiquem fora desse debate, que deve ser conduzido peloJudiciário. "Imagina se a Frente Sandinista ficasse lamentando todosque Somoza matou. Imagine se Fidel (Castro) ficasse lamentandotodos que Batista matou. Não! É fazer com que essas pessoas quetombaram lutando por alguma coisa em que acreditavam setransformem em heróis, que sejam símbolos da nossa luta. Que nasede da UNE tenha a fotografia e a história dos que morerram",defendeu Lula, sob aplausos discretos dos estudantes. (Reportagem de Rodrigo Viga Gaier)

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