Lula defende consenso em vez de ingerência na Bolívia

Ao lado do presidente do Peru, AlanGarcia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nestaquinta-feira um modelo de integração para a América Latina queevite a ingerência entre os países do bloco e busque soluçõesde consenso. Para ele, este é o tratamento que o continentedeve dar à crise da Bolívia. "A integração do continente latino-americano passa pelofato de compreendermos a autodeterminação dos povos. Cada paísé dono do seu destino e nenhum país pode querer ter ingerênciano destino do outro", disse Lula em discurso no encerramento doencontro entre empresários brasileiros e peruanos na sede daFederação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). "Passa pelo fato de nós construirmos, como fizemos agora noChile no caso da Bolívia, definições de consenso onde ninguémganha, ninguém perde e todos ganham ao mesmo tempo. Construirdecisões consensuadas entre nós", completou. Lula participou na segunda-feira de reunião emergencial dacúpula da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), em Santiago,no Chile, ao lado de outros líderes sul-americanos com oobjetivo de discutir soluções para a crise boliviana. O presidente brasileiro afirmou que os países da AméricaLatina perderam muito tempo imaginando que as soluções paraseus problemas estavam "do outro lado do Atlântico", masconsidera que a união veio "na hora certa". "Chegou um momento em que nós descobrimos que, apesar dequerermos ter relações extraordinárias com nossos irmãos maisricos, que o importante é que nós descobríssemos assimilaridades entre nós. E nós descobrimos e descobrimos nahora certa", declarou. Alan Garcia depositou no Brasil a esperança pela liderançada integração. "O Brasil é o impulso da uniãolatino-americana", afirmou. "Presidente Lula, levante abandeira da integração que nós o seguiremos." O presidente peruano afirmou na sede da Fiesp que o Brasiltem potencial para igualar ou superar a China como investidorestrangeiro na nação andina. (Reportagem de Carmen Munari)

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