Lula defende cartões e sigilo para gastos com segurança

Apesar das irregularidades, presidente diz que cartão é forma mais transparente de cuidar dos gastos públicos

Leonencio Nossa, enviado especial da Agência Estado,

12 de fevereiro de 2008 | 20h28

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta terça-feira, 12, em entrevista no aeroporto de Macapá que o cartão corporativo é a forma mais séria e transparente de cuidar dos gastos públicos. "O que precisamos é a partir da deficiência fazer as correções necessárias e continuar colocando na internet para que a população brasileira tenha acesso às informações", afirmou.   Veja também:   Entenda a crise dos cartões corporativos  Lula lamentou acúmulo de erros de uso de cartão, diz Múcio Aliados comandarão a CPI dos cartões, avisa governo Briga por comando de CPI ameaça parar Senado Governo indica aliados para postos da CPI dos cartões PSDB diz que não vai investigar família de Lula  Após denúncia, governo publica mudanças para cartões     Lula dá a declaração de Lula teria quase um mês depois da reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, segundo a qual os gastos com cartão corporativo dobraram em 2007 com relação ao ano anterior. As denúncias levaram a ministra da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro, a pedir demissão do cargo. (Leia a reportagem)     "Acho que todo mundo tem de mostrar corretamente aquilo que gastou 'todo santo dia'", completou o presidente. Ele disse não temer a instalação de uma CPI no Congresso para investigar o uso incorreto dos cartões. E creditou as denúncias a um "segmento da oposição" que estaria torcendo para o governo dar errado.   No entanto, disse que os dois maiores partidos de oposição - PSDB e DEM - não estariam por trás dessas supostas tentativas para fazer o governo fracassar. Mais cedo, o ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, disse que Lula lamentou que os gastos indevidos com os cartões de crédito corporativos não tenham sido detectados antes e que os erros tenham se acumulado.    Lula defendeu, no entanto, que gastos com a segurança pessoal do presidente e da família dele devem ser mantidos em sigilo. E citou o caso do primeiro ministro do Timor Leste, José Ramos Horta, que neste final de semana sofreu um atentado. "Só tem um gasto que não deve ser explicitado: é o com a segurança. Segurança é uma coisa muito delicada", disse. "Agora vejam o que aconteceu no Timor Leste".   Lula foi questionado se as declarações dele se diferenciavam das declarações de ministros como Dilma Roussef (Casa Civil) e Jorge Armando Félix (Segurança Institucional), que defenderam sigilo em boa parte dos gastos da Presidência vetando a divulgação no Portal da transparência. Lula apenas respondeu reforçando a sua opinião de que os gastos da segurança pessoal do presidente e da família devem ser mantidos em sigilo.   A um comentário que a Presidência estava considerando todos os gastos como de segurança, Lula evitou comentar enquanto já estava encerrando a entrevista.

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