Lula defende carga tributária 'justa'

Depois de orientar os ministérios a não deixar sem respostas os ataques da oposição ao governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a responder ao candidato tucano José Serra, que no programa eleitoral atacou a elevada carga tributária do país. O presidente Lula está na linha de frente nesta reação e hoje, no seminário Novas Diretrizes para o Sistema Contábil Brasileiro, dedicou boa parte de seu discurso a defender uma carga tributária "justa", que permita ao Estado exercer o seu papel.

TÂNIA MONTEIRO, Agência Estado

18 de agosto de 2010 | 22h03

"Eu espero que no próximo período, ao invés de discutir se (a carga tributária) é baixa ou se é alta, que a gente consiga discutir a justa, aquela que permita que o Estado continue a exercer seu papel e que permita que os nossos empresários e o povo como um todo possam sobreviver sem o constrangimento de algo pesado no seu orçamento no final do ano", declarou Lula ao lamentar que tentou e não conseguiu fazer reforma tributária em seu governo.

Para o presidente Lula, "em todos os países que têm políticas sociais, em que os trabalhadores têm todos dentes na boca, almoçam, jantam e tomam café, pegam ônibus de qualidade e têm salário de qualidade, a carga tributária é elevada, mais do que a nossa". E emendou: "em todos os países pobres do mundo, a carga tributária é muito baixa e um país que tem uma carga tributária só de 9% não tem Estado porque o Estado não pode fazer absolutamente nada em nenhuma área, muito menos ter política social". Para ele, "deve ter algum inimigo oculto" contra a reforma tributária.

Lula fez questão de elogiar o seu vice, José Alencar, também presente à cerimônia, ressaltando a sua lealdade e honestidade. "Não acredito que alguém tenha tido um vice da qualidade que eu tenho", declarou Lula, ao comentar que este não é um posto de "pouca confiança" porque pode acontecer um acidente, como houve com Tancredo Neves, que morreu antes de assumir o cargo, deixando o Planalto para José Sarney. Prosseguindo nos elogios a Alencar, Lula disse que "poderia deixar um talão de cheque em branco". Na época do escândalo do Mensalão, o presidente Lula também disse que daria um cheque em branco para o deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), que denunciou o esquema.

O presidente mais uma vez mostrou o seu incômodo com a imprensa. Afirmou que quando terminar o governo, ele e Alencar têm de "chispar" dos palácios do Alvorada e do Jaburu, residências oficiais que ocupam e que, então, "vão poder tomar uma goles" sem ter de se preocupar se a imprensa está fotografando ou não. E emendou que, certamente ninguém mais vai querer fotografá-los porque quando político deixa o governo "nem vento bate na porta". Segundo Lula, "quem subir vai pegar um País mais organizado, um pouco melhor do que o que recebemos, mas, sabedor que ainda terá de trabalhar para acabar com desmandos de séculos".

No discurso, de meia hora, todo de improviso, Lula comentou ainda que "há pouco tempo"pensou em criar um ministério das micro e pequenas empresas. "Mas depois achei que não era justo criar no final de mandato, achei melhor esperar que o próximo governo assuma para fazer e nomear o ministro", completou o presidente, que tem demonstrado disposição de interferir no próximo governo, se ele for da sua candidata Dilma Rousseff.

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