Lula decreta luto de três dias por morte de Ruth Cardoso

Presidente deve chegar ao velório da ex-primeira-dama por volta das 16h; FHC já está na Sala São Paulo

Rosana de Cássia e Roberto Almeida, de O Estado de S. Paulo,

25 de junho de 2008 | 12h18

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decretou luto oficial de três dias, por ocasião da morte da ex-primeira-dama, Ruth Cardoso. A decisão foi tomada nesta quarta-feira, 25, e o luto passa a vigorar a partir desta quarta, segundo informações da Secretaria de Imprensa da Presidência da República. A antropóloga e ex-primeira-dama morreu, aos 77 anos,  na última terça-feira, em São Paulo, vítima de um enfarte fulminante. O velório ficará aberto ao público até as 21 horas e Lula deve chegar por volta das 16 horas.   O velório teve início às 11h10 e entre os primeiros a chegar estavam o senador Romeu Tuma (PTB-SP), o ministro dos Esportes, Orlando Silva, o secretário das Subprefeituras, Andrea Matarazzo, o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, o ex-ministro da Educação Paulo Renato e o vereador Gilberto Natalini (PSDB).  O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso chegou por volta do meio-dia e recebeu cumprimentos de políticos e colegas de todo o Brasil. Entre eles, o governador de Alagoas, Teotônio Vilela, o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB), o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, e a vereadora Soninha Francine (PPS).   Veja também: Imagens do velório Muito emocionado, FHC recebe cumprimentos de amigos Especial: cronologia da antropóloga Ruth Cardoso  Antropóloga, Ruth Cardoso era intelectual reconhecida 'Ruth Cardoso deu novo sentido ao papel de primeira-dama' Ruth foi mais que uma primeira-dama, dizem políticos Serra e Alckmin lamentam morte de Ruth Cardoso Lula diz que morte de Ruth 'é uma grande perda' para o Brasil Galeria de fotos da trajetória de Ruth Cardoso    Além de Lula, o prefeito da capital paulista, Gilberto Kassab (DEM), e o governador do Estado, José Serra (PSDB), também já haviam decretado luto oficial por três dias em homenagem à ex-primeira-dama. Os filhos do casal, Paulo Henrique, Luciana e Beatriz (que está no exterior), e outros integrantes da família ainda não chegaram. O cortejo partirá às 10 horas da quinta-feira até o cemitério da Consolação.   O ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin afirmou que Ruth deixa "bons exemplos de vida acadêmica e política". " O Brasil perde uma grande dama que nos deixa bons exemplos de vida acadêmica e política. Ela é como uma das fundadoras do PSDB.Ela sempre teve uma posição de vanguarda progressista, transmitimos ao FHC nosso carinho e o presidente está emocionado. Foi uma vida de décadas juntos mas ele vai superar", disse. O presidente do PSDB nacional, senador Sérgio Guerra, afirmou que "o PSDB sempre teve ela como referência. Ela honrava o partido. E deixa um exemplo de dignidade".   O ex-ministro de FHC Paulo Renato Souza chegou por volta da 10h30 e informou que o último contato com Ruth Cardoso foi no último domingo e ela aparentava estar muito bem. Para Paulo Renato, o País perdeu uma cidadã de grande expressão social e política. "Sem desmerecer as demais esposas de presidentes que já passaram por este país [Ruth] foi ímpar, única. Fundadora da política social do país, combateu o clientelismo o paternalismo e estabeleceu uma prática de participação social com engajamento da sociedade civil, das empresas, com o governo na promoção social."   O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, afirmou que Ruth construiu carreira própria e nunca se valeu da posição de primeira-dama. "Ela nunca se posicionou apenas como esposa do intelectual, professor ou político Fernando Henrique Cardoso. Ela era a intelectual, a professora Ruth Cardoso e imprimiu uma marca muito própria como primeira-dama do país, denominação de que não gostava. Durante os oito anos em que esteve à frente do trabalho social, usou o viés menos de dar o peixe e mais de ensinar a pescar", afirmou Cabral, que participou de um seminário sobre o desenvolvimento do estado do Rio de Janeiro.   O prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT), divulgou nota lamentando o falecimento da ex-primeira-dama Ruth Cardoso. Pimentel observou no comunicado que a antropóloga "foi uma figura pioneira na implantação de programas sociais, como o Comunidade Solidária." "Dona Ruth Cardoso teve sua vida marcada por uma atuação firme no combate à pobreza e às desigualdades sociais, bem como um olhar diferenciado sobre a sociedade brasileira."   O presidente do Senado, Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN) lamentou a morte da ex-primeira-dama. "Perde o Brasil uma referência intelectual. Neste momento de dor, quero expressar o meu sentimento de pesar ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e aos demais familiares", disse em nota. O deputado Raul Jungmann diz que tentou falar com Ruth à noite. "Eu liguei ontem (terça) por volta das 7h30, 8, para saber como ela estava e ela estava em outra ligação e disse que retornaria em seguida. Liguei para o FHC e ele também não pôde atender. Digo isso pelo impacto e surpresa para todos nós. Ela foi uma primeira-dama que não sumiu na sombra do presidente e que se transformou num símbolo porque tinha identidade e opinião"   "Os contatos que tive com ela foram o suficiente para aprender muito com Dona Ruth. Ela sempre foi uma verdadeira primeira-dama. A sociedade brasileira perde uma líder", afirmou Paulo Skaf durante o velório.     Ruth Cardoso     Ruth Corrêa Leite Cardoso nasceu em Araraquara em 19 de setembro de 1930, era antropóloga e foi professora da Universidade de São Paulo (USP), assim como FHC. Deu aulas também em universidades no exterior como a Maison des Sciences de L'Homme (Paris), Universidade de Berkeley (Califórnia) e Universidade de Columbia (Nova York). Foi pesquisadora e conheceu o marido na USP, com quem era casada desde 1953. Teve três filhos.   Era membro da equipe de pesquisadores do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap - São Paulo). Publicou vários livros e trabalhos sobre imigração , movimentos sociais, juventude, meios de comunicação de massa, violência, cidadania e trabalho. Durante o mandato de FHC, fundou e presidiu o Comunidade Solidária. Também atuou em ONGs, como a Alfabetização Solidária (AlfaSol).   Ruth Cardoso marcou sua passagem como uma primeira-dama com agenda própria. Com o programa Comunidade Solidária, implementou redes sociais de longo alcance no País, aplicando o conceito de desenvolvimento local sustentável.   A estratégia dos programas de Ruth Cardoso se baseia na identificação das vocações naturais e potencialidades nas comunidades carentes. Com isso, as próprias comunidades são estimuladas a criar e manter programas de geração de riqueza e renda.   O programa original, Comunidade Solidária, foi transformado numa rede de organizações não governamentais voltadas para a criação de oportunidades para populações carentes. Sob o guarda-chuva da ONG Comunitas, as ações são executadas pelo Alfabetização Solidária e Universidade Solidária.   (com Anne Warth, da Agência Estado, e Eduardo Kattah, de O Estado de S. Paulo, e Agência Brasil)   Texto atualizado às 15h03

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