Lula decreta luto de três dias por morte de Frias

Foi decretado nesta segunda-feira, 30, luto oficial de três dias pela morte de Octavio Frias de Oliveira, publisher do Grupo Folha. O decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que deve ser publicado nesta terça-feira, 1, no Diário Oficial, é retroativo - válido desde segunda-feira. Até quarta-feira, 2, a bandeira nacional deve ficar estendida a meio pau em todas as repartições públicas do País.SepultamentoCom a presença de parentes, jornalistas, lideranças políticas e econômicas, o corpo do empresário Octavio Frias de Oliveira foi enterrado nesta segunda-feira, 30, no Cemitério Getsêmani, no Morumbi, Zona Sul de São Paulo. O publisher do Grupo Folha morreu no domingo à tarde, aos 94 anos, em decorrência de um quadro de insuficiência renal grave. Desde novembro, ele se recuperava de uma cirurgia para a retirada de um hematoma craniano após sofrer uma queda doméstica.O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o governador José Serra, o prefeito Gilberto Kassab, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, a ministra do Turismo Marta Suplicy, o presidente do BNDES, Luciano Coutinho e o ex-ministro Luiz Fernando Furlan foram algumas das autoridades que compareceram ao velório.O presidente Lula ressaltou a cobertura feita pela Folha de S. Paulo das greves de metalúrgicos na região do ABCD paulista na década de 70. O presidente também mencionou o papel de liderança do jornal na campanha das Diretas Já. ?Ele conseguiu fazer da Folha de S.Paulo um jornal quase que obrigatório para aqueles que queriam ler uma imprensa isenta e crítica. Tivemos uma cobertura fantástica durante as greves do ABC. Foi um dos pilares da democratização no Brasil e todos nós aprendemos muito com ele? , afirmou o presidente Lula. José Serra relembrou o empresário e disse que o tinha como conselheiro de confiança. ?Pessoalmente, era um grande amigo, um dos meus melhores amigos. Conselheiro das horas difíceis e dos momentos em que tinha de tomar decisões importantes?, disse o governador. O empresário Antonio Ermírio de Moraes e o empresário e bibliófilo José Mindlin também mencionaram a amizade que desenvolveram com o publisher. ?Ele era meu amigo e um grande empreendedor. Transformou um jornal inexpressivo e decadente num dos melhores jornais do País?, afirmou Ruy Mesquita, membro do Conselho de Administração e diretor de Opinião do Grupo Estado. Também estiveram presentes, entre outros, os deputados e ex-ministros Delfim Netto e Antonio Palocci, o deputado e ex-governador Paulo Maluf, o presidente do Conselho de Administração do Bradesco, Lázaro de Mello Brandão, o presidente-executivo do Bradesco, Marcio Cypriano, o desenhista Maurício de Souza, o ex-senador Jorge Bornhausen e o rabino Henry Sobel.Representantes do Judiciário, empresários de todos os setores da economia, líderes da área de educação, saúde e cultura, assim como dirigentes dos principais órgãos de comunicação do País acompanharam a cerimônia, que terminou por volta das 13h30. História da imprensaOctavio Frias de Oliveira comprou a Folha de S.Paulo em 1962, depois de trabalhar como office-boy, vendedor de aparelhos de rádio, funcionário público, incorporador imobiliário e banqueiro. Foi sob sua administração que a empresa cresceu e se tornou um grupo que engloba hoje os jornais Folha de S. Paulo e Agora SP, a Folha Online, o portal UOL, o Instituto Datafolha, a editora Publifolha, a gráfica Plural e o diário econômico Valor, em parceria com as Organizações Globo. ?Tive algum êxito como empresário. Consegui dar minha modesta contribuição no grande trabalho coletivo de criar riquezas, gerar empregos, fortalecer empresas e lanças novos produtos. Atribuo esse êxito ao trabalho perseverante e a alguma sorte?, declarou em discurso feito em maio do ano passado, ao receber o prêmio Personalidade da Comunicação.O Programa Observatório da Imprensa, transmitido pela TV Cultura, reprisará nesta terça-feira, às 23h40, uma edição feita com o empresário.

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