Lula declara apoio a Evo Morales em referendo boliviano

Para presidente, novo projeto constitucional será 'passo decisivo para refundação democrática' na Bolívia

Kelly Lima, da Agência Estado,

15 de janeiro de 2009 | 13h58

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou nesta quinta-feira, 15, seu apoio ao presidente da Bolívia, Evo Morales, e ao referendo sobre a nova Constituição do país, marcado para 25 de maio, como sendo uma demonstração democrática do colega. Ele chegou a comparar Evo ao líder negro Nelson Mandela, fazendo um paralelo entre o Apartheid e o boliviano. "Tenho convicção de que o referendo sobre a nova Constituição será passo decisivo para a refundação democrática que está em curso na Bolívia. Ao antecipar esta decisão e se comprometer a apenas uma reeleição, o Evo está dando um exemplo a muita gente que já passou por aqui antes dele", afirmou Lula, em Puerto Suarez, cidade boliviana na fronteira com o Brasil.   O presidente brasileiro fez homenagens ao colega em seu discurso. "Quando comentam a vitória de um metalúrgico chegando à presidência, costumo dizer que o melhor é ver um índio fazer o mesmo, como ocorreu aqui", disse Lula, em cerimônia de inauguração de trecho rodoviário na Bolívia, que recebeu investimentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Por estar na fronteira, Lula ganhou ainda mais a simpatia do público ao pedir para traduzirem sua fala "a gente humilde" que lá se encontrava.   Veja também: Oposição a Evo pede 'não' à Constituição por autonomia Conheça as mudanças no novo projeto constitucional da BolíviaPouco antes de Lula discursar, o prefeito local, Aldo Clavijo, havia sido fortemente vaiado pelo povo presente na cerimônia - 500 pessoas, a maioria partidária de Evo - por ser oposicionista. No local do evento - cercado por cerca de 800 policiais (entre soldados do Exército e militares locais) -, quase não havia evidências da oposição a Evo. No entanto, um outdoor de apoio estrategicamente posicionado atrás da banda militar, apoiava o referendo.   Gás   Durante a visita, Lula também garantiu ao povo boliviano que "não faltarão investimentos e nem demanda" para o gás importado da Bolívia. O tema era um dos mais esperados para o encontro entre os presidentes e ameaçava minar o clima cordial previsto para o lançamento de obras em rodovia local, com apoio do BNDES. No discurso feito a cerca de 500 pessoas, ao lado de Evo, Lula afirmou: "O presidente Evo tem sido fiel à sua palavra de que nunca faltará gás para o Brasil. Por isso, digo e repito que não faltarão investimentos e consumidores brasileiros para essa riqueza do povo boliviano. A Petrobras está em dia com seus compromissos de investimentos", disse.   O presidente fez menção também ao episódio ocorrido na semana passada, quando o Brasil anunciou que cortaria 30% do consumo devido à queda interna da demanda e depois reviu a redução para 20%, alegando que havia necessidade de atender a térmicas no sul do país, já que o abastecimento da região havia ficado comprometido com as chuvas.   Muitos analistas atribuíram a redução do porcentual a um gesto político, o que foi desmentido pelo governo, mas na prática admitido por Lula hoje. "Nossos governos (Brasil e Bolívia) acabam de concluir um acordo que está na essência de nossa parceria estratégica. Com transparência e diálogo asseguramos o suprimento adequado de energia para o parque industrial brasileiro e os recursos necessários para o desenvolvimento da Bolívia", disse Lula.   Ele ainda comentou a possibilidade de composição de novos acordos para futuros investimentos: "Precisamos implementar os demais acordos acertados anteriormente em La Paz e compor outros. (Precisamos) avançar na exploração conjunta de novos poços e no treinamento de funcionários da YPFB", disse Lula. Acompanham o presidente os ministros Edison Lobão, Tarso Genro e Miguel Jorge.  

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