Lula dará ênfase ao combate à fome, durante viagem

Durante visita oficial que inicia hoje ao Chile e ao Equador, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai dar ênfase à cooperação na área social e tentar aprofundar a proposta de criação de um fundo mundial de combate à fome e à pobreza. Esse será o principal tema da reunião entre 50 chefes de Estado no dia 19 de setembro, em Nova York, véspera da abertura da Assembléia Geral das Nações Unidas. Para reiterar a prioridade do setor social na agenda política, Lula e o presidente do Chile, Ricardo Lagos, abrem amanhã um seminário que discutirá as políticas públicas em curso nos dois países. Lula poderá visitar também um projeto social desenvolvido pelo governo chileno para inserção de famílias de baixa renda. O encontro de amanhã dos dois presidentes será um desdobramento da reunião realizada com o francês Jacques Chirac e o secretário geral das Nações Unidas, Kofi Annan, quando lançaram a chamada Ação Global contra a fome e a pobreza, em Genebra. A idéia, defendida por Lula, é criar mecanismos financeiros internacionais para permitir uma ação efetiva de combate à fome. Mas, o formato desse fundo ainda não está definido. Além de cerimônia para assinatura de atos, Lula terá encontros com os presidentes da Câmara e Senado, visitará a prefeitura de Santiago e a Corte Suprema. No final do dia se reunirá com a comunidade brasileira no Chile. País de economia aberta e estável, nem todas as posições do Chile correspondem às assumidas pelo governo brasileiro, como no caso da Alca, por exemplo. Apesar disso, as relações bilaterais entre Brasil e Chile são positivas, conforme avaliou o diretor-geral do Departamento da América do Sul do Itamaraty, Enio Cordeiro. Segundo ele, o Chile tem interesse em ampliar suas afinidades com o Brasil, até porque tem focos de tensão com Argentina e Bolívia, seus principais vizinhos. No plano político, os dois países compartilham posições comuns. Oriundo do partido socialista, Ricardo Lagos, a exemplo de Lula, tem em vista a necessidade de manter a estabilidade política e consolidar a democracia na América do Sul. O Chile já manifestou simpatia ao pleito do Brasil de participar, como membro permanente, do Conselho de Segurança da ONU. Segundo o Itamaraty, o Chile também tem interesse em ampliar o acordo como membro associado do Mercosul. Os chilenos já têm participação plena em órgãos internos que discutem temas macroeconômicos como o Fórum de Consulta e Concertação Política, que se reúne com freqüência. Uma declaração conjunta vai marcar a cooperação entre Brasil e Chile e explicitar os interesses de cada país, abordando temas nas áreas de meio-ambiente, comércio e investimentos. Há possibilidade de selar um acordo entre Embrapa e o Instituto de Investigações de Pesquisa Agrícola (Inia). Outro interesse comum é o cobre. O Chile é um grande produtor e com o Brasil poderão se tornar os maiores produtores no mundo. Depois do Chile, o presidente Lula segue para o Equador, onde a questão social também estará em pauta, assim como a melhora do fluxo comercial e a ampliação dos investimentos em infra-estrutura, como energia e telecomunicações. Os equatorianos querem que o Brasil os ajude financeiramente, por meio do BNDES, na construção de uma usina hidrelétrica, com custo estimado em U$ 320 milhões. Eles querem também ajuda financeira para reforma de aeroportos e a Petrobras, que já tem atividades no Equador, e pretende ampliar sua participação.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.