Lula dá trégua e prestigia solenidade do Judiciário

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu dar uma trégua na sua conturbada relação com o presidente do Supremo Tribunal Federal, Maurício Corrêa, e prestigiará amanhã a reabertura dos trabalhos do Judiciário. Na cerimônia festiva preparada por Corrêa, inédita para a ocasião, o presidente Lula deverá fazer um discurso breve, evitando polêmicas. Antes, ouvirá o discurso do presidente do Supremo, que mais uma vez defenderá a reformulação dos códigos processuais, e não a reforma do Judiciário, como a medida mais eficaz para agilizar a Justiça brasileira.Evitando falar nas divergências públicas entre ele e Lula ao longo do ano passado - "deixa isso prá lá" - Corrêa disse que a presença do presidente da República hoje no Supremo tem forte signficado. "É um gesto que contribui muito para que possamos trabalhar juntos a partir de agora". Os atritos, disse, são coisas do passado. O próprio Lula tomou uma iniciativa neste sentido, quando telefonou para Corrêa na virada do ano, para desejar-lhe felicidades e confirmar que iria ao Supremo na reabertura do Judiciário.Lula e Corrêa passaram o ano trocando farpas públicas. Primeiro, o presidente Lula disse, genericamente, que o Judiciário era uma "grande caixa preta". Na primeira oportunidade, Corrêa revidou, com ataques ao comportamento de Lula na Presidência, sugerindo que ele estava deslumbrado com o poder e afirmando que quem governava, de fato, era o ministro da Casa Civil, José Dirceu. O clima entre os dois começou a melhorar no final do ano passado.A pouco mais de quatro meses de deixar o cargo, o que ocorrerá em maio por força da aposentadoria compulsória, Maurício Corrêa resolveu transformar a retomada dos trabalhos do Judiciário, depois de dois meses de recesso, numa cerimônia de pompa, com a presença de autoridades dos três poderes da República. "Este evento se reveste de um simbolismo muito grande, nunca houve uma cerimônia assim para marcar essa data. E eu quis fazer isso porque é preciso dar a devida importância ao Poder Judiciário", afirmou hoje o presidente do Supremo.Fugindo à tradição da Corte, a festa preparada por Corrêa não tem a aprovação de todos os seus colegas do STF. O ministro Marco Aurélio de Mello, seu antecessor no cargo de presidente, considerou dispensável a inovação. "Devíamos preservar a tradição de uma sessão de abertura interna, apenas para o Judiciário", disse hoje. Além de Lula, estará presente o presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP). O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-SP), que estava hospitalizado até semana passada, também poderá comparecer.Mas não é só com a cerimônia que Maurício Corrêa quer marcar a reabertura do Judiciário. Ele fará pronunciamento de sete minutos amanhã à noite em cadeia nacional de rádio e televisão. "A população brasileira precisa saber exatamente o que acontece no Poder judiciário, quais as nossas dificuldades e porque a Justiça é lenta. Eu vou fazer a defesa do Judiciário", disse.

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