Lula dá testemunho pessoal no Fórum de Porto Alegre

O presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, repetiu no final da tarde deste sábado o sucesso obtido na abertura do Fórum Social Mundial, na última quinta-feira, quando foi aplaudido demoradamente por mais de 3 mil pessoas. Neste sábado, ele foi novamente aclamado. Petistas, que lotaram o auditório durante sua exposição, pediram aos gritos sua candidatura à Presidência da República em 2002. Até parecia um comício de campanha eleitoral.Convidado a dar um testemunho, assim como os ex-candidatos à Presidência Tabaré Vasquez (Uruguai) e Cuauhtémoc Cárdenas (México), Lula fez críticas ao governo federal, sem citar nomes, falou de sua infância pobre, de seu aprendizado como líder sindical e de política. Foi interrompido, por aplausos, dezenas de vezes, até mesmo em momentos em que estava no meio de um raciocínio ou quando disse que não tinha vergonha de dizer que é cristão."Não vamos permitir que futricas aqui e ali venham a atrapalhar a grandeza dos que tiveram a idéia de construir esse fórum", disse Lula, rechaçando críticas de que o Fórum Social Mundial tenha se tornado um espaço político dominado pelo PT. Ao explicar o que "moveu" milhares de pessoas a Porto Alegre, para o fórum, Lula disse que foi o mesmo que impulsionou as Revoluções Francesa, Mexicana, da Nicarágua e a Cubana. "Somos homens e mulheres, movidos não só pela consciência, mas pelo coração", afirmou.Após ter dito que seu sonho quando jovem era ser economista, o presidente de honra do PT relatou que já foi convidado, em momentos diferentes, para uma temporada em Harvard (Estados Unidos) e em Oxford (Inglaterra), mas disse que preferiu não ir. "Quem vai lá para fora se transforma na elite dominante", disse, acrescentando que, para governar o País, é melhor conhecer "o povo". "Acho que aprendo mais no Vale do Jequitinhonha", afirmou.Lula pediu aprovação de Cárdenas e Vasquez para dizer que todos ou quase todos os ministros da economia dos países latino-americanos estudaram no exterior. "Os ministros da economia dos nossos países são especialistas em ler estatística. Não levam em conta que tem uma mulher, um indigente, alguém passando fome por trás dos números", afirmou, emendando que os ministros se preocupam apenas em "fazer caixa" para pagar a dívida externa.Um dos momentos que a platéia mais vibrou foi quando Lula citou Cuba. "Alguns acham legal. Outros não acham legal (Cuba). Mas são os cubanos que têm de resolver os seus problemas. Não somos nós. Não são os Estados Unidos", disse. Segundo ele, ao retornar das viagens que faz a ilha é inevitável a comparação com o Brasil. "Perto do Brasil, Cuba é muito pobre. Mas a diferença é que o povo cubano tem mais dignidade", afirmou Lula, que comandou uma excursão de petistas a Cuba durante uma semana, logo após o segundo turno da eleição municipal no ano passado.

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