Lula dá 'pito' em senadores que votaram contra governo

Peemedebistas protagonizaram 'rebelião' na semana passada e derrubaram criação de secretaria

Lisandra Paraguassí, do Estadão

02 de outubro de 2007 | 15h27

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva enquadrou os senadores peemedebistas que se rebelaram, na semana passada, e votaram pela derrubada da medida provisória (MP) que criava a Secretaria de Acompanhamento de Longo Prazo. A informação sobre o "pito" presidencial em reunião do Conselho Político nesta terça-feira, 2, foi divulgada por um dos líderes partidários aliados que participaram do encontro no Planalto.   Segundo esse líder, Lula foi enfático na afirmação de que seu governo é de coalizão e já está montado: "Os ministros foram nomeados, as responsabilidades estão definidas", lembrou o presidente. De acordo com o relato, Lula acrescentou: "Não tem nenhuma pendência sobre a minha mesa em relação aos partidos." Depois dessa declaração, o presidente cobrou explicações diretamente ao líder do PMDB no Senado, senador Valdir Raupp (RO), dizendo: "Não entendo essa posição do PMDB." Raupp respondeu que faltou diálogo entre governo e senadores.  Lula voltou a comandar a interlocução do governo com sua base aliada no Congresso e disse não querer "dramatizar" a derrota da semana passada. Na reunião, formada por todos os líderes da coalizão, Lula deu um recado: não está disposto a alimentar fissuras em sua base, mas também não quer sofrer pressões. Segundo relato de deputados que participaram do encontro, ele comentou o "excelente desempenho" da Câmara ao aprovar a prorrogação da CPMF em primeiro turno e pediu esforço para concluir a votação.   Segundo ele, o boicote à matéria foi uma resposta à falta de diálogo com a base. "Não existe demanda de nenhum senador sobre minha mesa", teria dito Lula, de acordo com o líder do PTB na Câmara, deputado Jovair Arantes (GO), e outros deputados presentes ao encontro. Em mais um movimento para refazer pontes, o presidente Lula recebe nesta noite líderes da Câmara para um jantar no Palácio da Alvorada. Na quarta, pode repetir o evento, mas com o PMDB.   O líder do PR, deputado Luciano Castro (RR), chegou ao Palácio afirmando que reclamaria sobre o atraso nas indicações da legenda a postos no segundo e terceiro escalões do governo. Na hora H, no entanto, preferiu calar-se.   "Ninguém falou, ninguém tratou, ninguém mencionou (o assunto cargos)", disse o líder do governo na Câmara, deputado José Múcio Monteiro (PTB-PE). A reunião do conselho político foi convocada, principalmente, para discutir a TV Pública, comandada pela jornalista Tereza Cruvinel, mas serviu de espaço para tratar das relações no Congresso.   "Achei Lula muito presente na coordenação política", relatou à Reuters um dos presentes, sob condição do anonimato. Sobre CPMF, deputados avaliaram a necessidade de votar as MPs que trancam a pauta do plenário para liberar a agenda de votações à PEC que prorroga o tributo até 2011.     Problema de 'comunicação'   Conforme o líder do governo na Câmara, deputado José Múcio, havia falta de conhecimento sobre as funções que teria a secretaria, que viria a ser ocupada pelo professor Roberto Mangabeira Unger. Raupp disse também, conforme José Múcio, que Mangabeira Unger nunca conversou com qualquer senador.   Lula informou aos integrantes do Conselho Político que sua assessoria ainda estuda uma saída técnica para a recriação da Secretaria de Planejamento de Longo prazo. Entre as alternativas, o presidente citou a possibilidade de encaminhamento ao Congresso de um projeto de lei, ou a reedição de uma medida provisória com conteúdo diferente do texto já rejeitado pelo Senado.   TV  Pública   Na reunião, segundo José Múcio, o governo fez uma explicação sobre a medida provisória que irá determinar a criação da TV pública. Os líderes, informou ele, pediram que a MP só seja encaminhada ao Congresso após a conclusão do segundo turno de votação da proposta de emenda constitucional que prorroga a CPMF até 2001.   Segundo José Múcio, esta semana e a próxima serão muito difíceis por causa de medidas provisórias em pauta e por conta do término do prazo para filiações partidárias   Texto ampliado às 17h56

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