Lula dá aval à ‘boa luta’ de Dilma com a base e defende ‘novas práticas políticas’

Para novo líder do governo no Senado, Eduardo Braga, Lula recomendou resistência às pressões dos aliados

Christiane Samarco, de O Estado de S.Paulo

16 de março de 2012 | 22h30

Fiador do governo, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva rompeu o silêncio das últimas semanas imposto por uma pneumonia para se enfileirar ao lado presidente Dilma Rousseff no confronto com os partidos da base aliada. "A Dilma está certa. Vale a pena essa luta, porque essa é a boa luta", afirmou Lula ao novo líder do governo no Senado, Eduardo Braga (PMDB-AM), nesta sexta-feira, 16, segundo relato do próprio senador ao Estado.

 

Em sua primeira manifestação sobre a crise política entre o Planalto e partidos da base, o ex-presidente apoiou as mudanças feitas por sua sucessora na interlocução do governo com o Congresso. A presidente decidiu trocar os líderes do governo na Câmara e no Senado após ter sido derrotada na recondução de Bernardo Figueiredo como diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

 

"O momento é de transformação. O País vive uma nova realidade econômica e social, por isso é fundamental a renovação e a instituição de novos métodos e práticas políticas", teria dito Lula, segundo contou Braga. O presidente referia-se às pressões dos partidos e, mais especificamente, de grupos políticos por cargos e espaços no governo.

 

Braga o visitou no hospital Sírio Libanês, onde o ex-presidente ficou internado na sexta para receber a última dose de antibióticos contra a infecção pulmonar que o acometeu no início do mês, em decorrência da baixa de imunidade provocada pelo tratamento de radioterapia contra o câncer na laringe.

 

O ex-presidente disse ao novo líder que pode contar com o seu apoio e sua interlocução. Relutante em render-se ao fisiologismo e à pressão dos partidos para fazer trocas ministeriais e com um diálogo complicado com congressistas, a presidente Dilma tem sofrido retaliações da base e ameaças nos últimos dias. A nomeação de Eduardo Braga, por exemplo, colocou o governo em posição de confronto com caciques peemedebistas como Renan Calheiros (AL) e Romero Jucá (RR), destituído do posto.

 

Na conversa com Braga, Lula observou que o Brasil de hoje não é mais o Brasil de 2002, quando ele assumiu a Presidência, e afirmou que era hora de fazer uma "frente pela transformação". Ao se dispor a ajudar pessoalmente o governo na pacificação da base e no diálogo com o Congresso, o ex-presidente disse que tem esperança de que esta transformação ocorra.

 

Conselhos. Em entrevista ao Estado, Braga relata que foi a São Paulo primeiramente para rever o amigo convalescente, mas também para se aconselhar com o ex-presidente. O apoio de Lula à conduta política do governo neste momento tem significado especial diante do quadro de base conflagrada, insatisfação generalizada de aliados e ameaças.

 

A situação se agravou na quarta-feira, 14, quando o líder do PR no Senado, Blairo Maggi (MT), anunciou o rompimento da bancada de sete senadores com o governo. O número é significativo, pois representa quase 10% do total de 81 senadores. O partido rebelou-se após reunião do líder com a ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti. Blairo levou uma lista de candidatos do PR a ministro dos Transportes, mas Ideli riscou os nomes sugeridos, um a um. A conversa acabou quando a ministra disse que Paulo Sérgio Passos continuaria na pasta, embora o PR não o reconheça como indicado da sigla.

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