Lula culpa oposição por demora no caso Renan

Para presidente, episódio poderia ter sido solucionado em uma semana

Christiane Samarco e Lisandra Paraguassú, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2016 | 00h00

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez ontem a defesa pública do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Disse que a crise se arrasta por culpa da oposição e o tumulto político decorrente do processo que ameaça o mandato do senador não causou prejuízos aos projetos de interesse do governo no Senado. "O problema com o Renan não prejudicou em nada até agora. O Senado está votando tudo. Votou um monte de coisas na semana passada", argumentou Lula no fim do almoço que o governo ofereceu ao presidente do Benin, Boni Yaji, no Itamaraty.O próprio Renan repete que o Senado apreciou 207 proposições desde que estourou a crise, em 25 de maio, com a denúncia de que ele teria despesas pessoais pagas pelo lobista Cláudio Gontijo, da empreiteira Mendes Júnior. Deste total, 191 propostas foram aprovadas, inclusive 17 medidas provisórias.No almoço, Lula avaliou que o Senado poderia ter resolvido o caso em uma semana. "Não resolveram porque queriam criar caso. É o típico caso do quanto pior melhor", criticou.A frase irritou a oposição. "Isto mostra a visão caolha de Lula, que não enxerga o Congresso com os mesmos olhos com que a sociedade o vê", protestou o líder do DEM no Senado, José Agripino (RN). "É Lula que não enxerga o que o Brasil está enxergando: o Senado sangrando e exigindo investigação justa de veredicto rápido." Ele está convencido de que a demora no julgamento decorre da procrastinação e das denúncias novas que surgem. Renan, que almoçou no Itamaraty à mesma mesa dos dois presidentes, ao lado da primeira-dama, Marisa Letícia, não se surpreendeu com a defesa. "Lula já fez isto umas quatro ou cinco vezes. Demonstra que, mais do que uma relação política, temos uma relação pessoal."Para Renan, o discurso também significa que Lula não tem compromisso com o erro. "Se houver erro de minha parte, ele não terá o compromisso de me defender. Eu mesmo disse, da tribuna, que se tiver uma prova contra mim eu renuncio." Ele afirmou em que é um homem como qualquer outro, com virtudes e pecados. "Mas costumo me comportar com altivez sempre que estou diante de algum pecado, e corro para me defender. Por isto estou correndo para fazer a contraprova."Renan disse que não previa a demora no processo. "Nunca imaginei sangrar tanto sem nenhuma prova, sem nada que torne incompatível o exercício da presidência da Casa", afirmou, ao lembrar que senadores e líderes têm proposto que renunciasse à presidência para salvar o mandato. "Entendi que, se eu cedesse qualquer espaço a este tipo de apelo, colaboraria com o entendimento de que tinha culpa. Se tiver de sair, saio de cabeça erguida, ereto, reafirmando minha inocência", insistiu.COBRANÇAÀ noite, Lula voltou a tocar no assunto, na abertura de seminário para os advogados gerais da União, ao cobrar mais responsabilidade das instituições. "Eu acho desagradável quando alguém é execrado na primeira página do jornal sem que se tenha feito uma apuração correta, só porque alguém foi lá e disse que era", reclamou. "Obviamente tenho dito que toda instituição que tem poder tem que ter responsabilidade."Lula ressalvou que as instituições nacionais têm dado demonstrações de vigor. "Se olharmos o País sem essas instituições, ele seria muito mais frágil."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.