Lula critica tucanos e imprensa durante comício em SP

O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou tucanos e a imprensa durante comício realizado na tarde deste sábado, em Campinas, no interior paulista. Lula disse que "mandou embora" o FMI, que estava certo quando chamou de "marolinha" os efeitos da crise econômica mundial sobre o Brasil, que os tucanos não sabem ouvir e que determinados setores da imprensa brasileira chegam a ser uma vergonha.

GUSTAVO PORTO E TATIANA FÁVARO, Agência Estado

18 de setembro de 2010 | 16h57

"Essa gente não me tolera. Mesmo lendo pesquisas de opinião pública, mesmo vendo que tem apenas 4% que acham o governo ruim e péssimo. Deve ser na casa do Serra (José Serra, candidato do PSDB à Presidência) e na casa do Alckmin (Geraldo Alckmin, candidato ao governo de São Paulo pelo mesmo partido)", afirmou Lula. "Pergunte quantas vezes os tucanos receberam reitores, prefeitos, estudantes, trabalhadores. Nunca receberam, porque eles se acham tão prepotentes e tão arrogantes e sabem de tantas coisas que acham que não precisam ouvir. O tucano não tem ouvido, só tem bico, e bico, e bico, e bico. Ele não ouve."

O presidente chamou as críticas recentes dos adversários e as reportagens sobre condutas suspeitas em seu governo de intolerância, ódio e mentira. "Existe uma revista que não lembro o nome dela. Ela destila ódio e mentira. E eu queria pedir para você, Dilma (Rousseff, candidata à Presidência pelo PT), e para você, Aloizio (Mercadante, candidato ao governo de São Paulo pelo mesmo partido): não percam o bom humor, eu já ganhei, eu não disputo voto. Outra vez não vamos derrotar nossos adversários tucanos, vamos derrotar alguns jornais e revistas que se comportam como se fossem um partido político", afirmou Lula.

"Se o dono do jornal lesse seu jornal ou o dono da revista lesse sua revista eles ficariam com vergonha do que estão escrevendo exatamente nesse momento", afirmou. "Eles não se conformam que o pobre não aceita mais o tal do formador de opinião pública. Que o pobre está conseguindo enxergar com seus olhos, pensar com a sua cabeça, pensar com a própria consciência, andar com as suas pernas e falar pelas suas próprias bocas, não precisa do tal do formador de opinião pública. Nós somos a opinião pública e nós mesmos nos formamos."

Lula convidou o público, estimado em cerca de 20 mil pessoas pela Polícia Militar, para participar de pregão na Bolsa de Valores na próxima sexta-feira, 24, na capitalização da Petrobras. "Esse metalúrgico que eles consideram insignificante, esse metalúrgico que não fala espanhol, que não fala inglês, que não fala francês e que falava ''menas laranja'' em 1989. Esse metalúrgico vai na Bolsa de Valores. Vai bater o martelo para capitalizar. A maior capitalização da história da humanidade: nós vamos capitalizar a nova Petrobras, para deixar ela maior, mais forte", afirmou. "Será um metalúrgico que entrará para a história como o Presidente que fez a maior capitalização que o capitalismo já conheceu no mundo. Tudo porque eu sou socialista. E isso eles não perdoam."

Coadjuvantes. O presidente do PT, José Eduardo Dutra, encabeçou as críticas à imprensa e ao PSDB durante discurso no comício no Largo do Rosário. Segundo ele, os adversários passaram oito anos "esculhambando o governo" e chamando o Bolsa Família de Bolsa Esmola, e agora se deparam com a "triste realidade de governo aprovado por mais de 80%".

Sem citar as denúncias de irregularidades na Casa Civil, Dutra classificou o episódio de "articulação de uma farsa". "De repente, o cabra que foi condenado por receptação e coação de testemunhas, só porque abre a boca para falar mal do governo e da Dilma, recebe as manchetes dos jornais", afirmou. Segundo Dutra, "os que acusam Lula de governar em cima de palanques têm saudades do tempo em que os presidentes governavam em cima dos tanques".

Dilma fez um apelo às mulheres e usou a imagem do governo Lula durante seu discurso. "Estou aqui porque hoje estamos a 15 dias do dia 3 de outubro. E no dia 3 de outubro o que nós vamos fazer? Vamos ter de decidir, colocar nosso voto lá na urna, para decidir o rumo do Brasil. Nós queremos aquele país do desemprego? Não. Nós queremos aquele país da desigualdade? Não. Nós queremos aquele país onde ninguém tinha chance de subir na vida? Não. Nós queremos o país construído pelo Presidente Lula", afirmou. "Um País que deixou seu povo relegado ao abandono não é um País sério", disse, em crítica aos governos que antecederam Lula. "Se eu errar vão dizer: olha aí, uma mulher não sabe governar. E eu tenho certeza que eu vou honrar as milhões de mulheres brasileiras que saem de casa e constroem esse País", lembrando que as mulheres são maioria na população brasileira.

Tudo o que sabemos sobre:
denúnciaLulaDilma

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.