Lula critica STF por suspender desocupação na reserva Raposa

Presidente cobra mais rapidez no julgamento sobre saída ou permanência de arrozeiros na reserva em Roraima

Leonencio Nossa, de O Estado de S. Paulo,

19 de junho de 2008 | 22h51

Em tom de desabafo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva discordou nesta quinta-feira, 19, da tese de produtores e madeireiros de que "há muita terra para pouco índio" e reclamou da decisão tomada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em abril, de suspender a retirada de arrozeiros da reserva indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima. Ao participar de encontro da Comissão Nacional de Política Indigenista, no Ministério da Justiça, ele pediu rapidez no julgamento definitivo do processo de homologação contínua para evitar mais violência na região.  Veja também:ESPECIAL: Tudo sobre a Raposa Serra do Sol  Saiba onde fica a reserva e entenda o conflito na região  Galeria de fotos da Raposa Serra do Sol  Num longo relato, lembrou que o governo ofereceu terras da União ao Estado e ofereceu indenizações com valores elevados para os fazendeiros deixarem a terra indígena. "Quando tomamos a decisão de que agora é a hora de pagar para ver, vamos tirá-los e colocar a Polícia Federal para exercer a função, veio a decisão da Suprema Corte", queixou-se. "Enquanto estiver na Suprema Corte, o presidente da República não pode fazer nada." Segundo ele, o que o governo quer agora é rapidez do STF. "Antes que aconteça qualquer ato de violência mais sério lá, porque não faltam os que instigam, uma parte de pessoas políticas do Estado que querem confusão", ressaltou.Lula reconheceu que o governo também é lento no atendimento de demandas da comunidade indígena. Ele voltou a reclamar de falsos diagnósticos de ministros e assessores sobre questões que envolvem comunidades nativas e grupos sociais. "As informações que recebo mostram que as coisas estão maravilhosas", ironizou. O presidente citou o caso dos índios que vivem na reserva de Amambaí, a 350 quilômetros de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul. A reserva registrou, ao longo do governo Lula, uma série de mortes de crianças por desnutrição, além de suicídios e assassinatos. De acordo com avaliação de especialistas, isso é o resultado do tamanho da área - cerca de 7 mil índios dividem um espaço de 2.430 hectares.  "Há pouca terra para muitas pessoas", disse o presidente, referindo-se à reserva de Amambaí. Em 2006, o então presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Mércio Pereira Gomes, causou revolta de povos indígenas ao afirmar em entrevista à agência Reuters que, no Brasil, havia muita terra para poucos índios.

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