Lula critica regras de estrangeiros para Amazônia

Ele diz que responsabilidade pela região é do Brasil e não aceita 'lições' de como preservá-la

Tânia Monteiro, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2019 | 00h00

Em discurso feito na abertura do 2º Encontro dos Povos das Florestas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou os países desenvolvidos por terem destruído as florestas deles no passado e agora pretenderem ditar regras de como preservar a Amazônia. "A Amazônia tem dono. Tem gente que pensa que lá não mora ninguém. Lá moram 23 milhões. Aquilo não é terra de ninguém. Nós queremos assumir a responsabilidade de fazer o que tem que ser feito: extrair riquezas, cuidar da sustentabilidade", declarou o presidente. No pronunciamento, feito em grande parte de improviso, Lula afirmou que não aceitará que os países mais pobres paguem pela devastação ambiental que não fizeram. "Tenho me recusado a aceitar lições de qualquer governante de como o Brasil tem de preservar a sua floresta", disse o presidente no encontro, promovido por entidades governamentais, empresas públicas e privadas e movimentos sociais. Ele mencionou dados segundo os quais há 8 mil anos o Brasil detinha 9% das florestas do mundo e, hoje, possui 29,5% - justamente, segundo explicou, porque os países que hoje possuem economias desenvolvidas reduziram as matas nativas. "Isso aconteceu porque eles acabaram com as florestas deles", disse Lula, enfatizando que o Brasil ainda tem hoje preservadas 69% de suas florestas.CONSUMO "Os países que mais poluem o planeta que assumam a responsabilidade de fazer os investimentos... É preciso rediscutir o padrão de consumo e desenvolvimento. Nós não aceitaremos que mais uma vez em cima dos pobres seja jogada a responsabilidade de pagar um preço pelo uma coisa que não fomos nós que cometemos", disse o presidente. E continuou: "O Brasil precisa se preparar para um enfrentamento que teremos que fazer para defender aquilo que é nosso. Todo mundo tem que saber que a Amazônia tem dono."

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