Lula critica postura de inferioridade do Brasil no exterior

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou nesta quarta-feira, 11, a postura de inferioridade que o País adotou no passado com relação à política externa e, para mostrar a mudança de atitude em sua gestão, citou a primeira reunião do G8 (os sete países mais industrializados, mais a Rússia) de que participou assim que assumiu o cargo. ""Eu me lembro de um negociador da dívida externa brasileira que me dizia que ´era uma vergonha´ porque o Brasil chegava lá de cabeça baixa, falavam grosso com a gente e não tínhamos coragem de reagir. Me lembro da primeira vez que fui ao G8 (os sete países mais industrializados, mais a Rússia) e, como vocês sabem, não falo nenhuma língua, falo muito mal o português, e em dado momento chegou um dirigente. Todos se levantaram e eu fiquei sentado. Me perguntaram e eu disse: ninguém se levantou quando cheguei; eu também não me levanto." O presidente justificou tal atitude porque não quer que o País seja subserviente. "A subserviência é o pior para qualquer pessoa. Subserviência não é bom para uma relação de pai para filho, nem marido e mulher, e muito menos para uma relação entre nações. Não quero que o Brasil seja melhor ou pior. Quero que seja tratado de igual para igual. Com respeito vamos tratar os Estados Unidos, o Paraguai, a Bolívia ou qualquer outro país", disse.As declarações de Lula foram dadas em evento de assinatura de contrato para a construção de nove navios no estaleiro Sermetal, no Rio. Lula também defendeu a postura do seu governo de ter buscado outros parceiros internacionais e não ter ficado somente na dependência do mercado americano e europeu para as exportações dos produtos nacionais. "Todo mundo fica pensando que é bom ser amigo dos Estados Unidos ou da Europa para que eles comprem tudo de nós. Mas do mesmo jeito que pensamos isso, existem muitos outros que pensam da mesma maneira e a competitividade aumenta. É preciso buscar outros mercados. Isso é como se fosse uma relação de namorados. Se ela ou ele não querem a gente, não adianta ficar chorando, é só ir buscar em outro canto que tem quem queira a gente. Foi isso que o Brasil fez, indo buscar espaço para vender para a China e mais recentemente recuperando as relações com a África, continente para o qual nunca deveríamos ter dados as costas", disse.

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