Lula critica políticos que 'exigem' distribuição da CPMF

No Congo, presidente disse que 'sairá caro' se a medida não for aprovada no Senado.

Rogério Wassermann, BBC

16 de outubro de 2007 | 12h45

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou nesta terça-feira a posição dos políticos que exigem a distribuição da receita gerada pela CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) para governos estaduais e municipais em troca do apoio à prorrogação do imposto no Congresso. Durante uma entrevista coletiva concedida à imprensa brasileira durante sua vista ao Congo, Lula disse que a postura desses políticos não é compatível com o discurso de quem quer acabar com a CPMF.Segundo o presidente, se a receita for dividida com os governos dos estados e municípios, "politicamente nunca vai ser possível acabar com a CPMF" - em uma possível referência ao caráter supostamente provisório da receita. "Sairá caro se (a CPMF) não for aprovada. Quero ver quem, no planeta, teria condições de governar prescindindo de uma receita de R$ 40 bilhões", disse o presidente, em referência ao montante arrecadado pelo governo com a CPMF."Todos os senadores, com raríssimas exceções, já votaram a CPMF pelo menos uma vez e deveriam reler os discursos que fizeram há quatro ou oito anos para ver a justificativa que deram na época para o seu voto a favor da medida"."Espero que quando um senador votar contra diga de onde tirar os R$ 40 bilhões". O presidente acredita que assim como a prorrogação foi aprovada na Câmara dos Deputados, onde também era considerada complicada, ele espera que passe no Senado também."Mas os senadores decidirão, e o que for decidido será respeitado". Ao ser questionado sobre uma eventual disputa no Senado para escolher o novo presidente da Casa, após o pedido de licença do senador Renan Calheiros, Lula disse que "em hipótese nenhuma" interfirá nessa disputa.O presidente disse que em princípio, Renan tirou uma licença de 45 dias e retomaria o posto após esse período, então não poderia comentar as possíveis articulações em torno de nomes para substituí-lo.Lula afirmou, porém, que "a lógica do Congresso Nacional é de que quando um partido tem a presidência da Câmara, outro tem a presidência do Senado", o que em princípio excluiria a possibilidade da eleição do atual presidente interino da Casa, o senador Tião Viana, do PT, se efetivar no posto, já que o partido já tem a presidência da Câmara.O presidente disse manter a posição que mantinha quando no começo da crise, há quatro meses. "O problema surgiu dentro do Senado e a solução virá de dentro do Senado", afirmou.Ele afirmou considerar os senadores "politicamente calejados, que conseguirão encontrar uma solução para a disputa", mas advertiu de que eles devem também levar em conta o bom momento por que passa o Brasil para evitar prejudicar o país.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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