Lula critica os que consideram Bolsa-Família 'assistencialista'

Em Araraquara, presidente diz que 'as pessoas não sabem o que significam R$ 50 para uma mãe de família'

Gustavo Porto, enviado especial de O Estado de S.Paulo

14 de março de 2008 | 13h02

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, criticou nesta sexta-feira, 14,  os que consideram o programa Bolsa-Família assistencialismo e as pessoas que não sabem o que significam R$ 50 para uma mãe de família. Ele disse que muitas pessoas dão esse valor de gorjeta no bar quando tomam cerveja enquanto uma mãe consegue alimentar seus filhos por 15 dias. O presidente, que visita a cidade de Araraquara, Em Araraquara, presidente diz que 'as pessoas não sabem o que significam R$50 para uma mãe de família'e lembrou de uma série de programas criados durante seu governo, que ampliaram a capacidade de crédito para essa camada da população. "Aqui no Brasil, pobre não tinha acesso a banco e os bancos tinham desaprendido a atender pobres. Até o Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal", disse Lula, que citou com o exemplo os empréstimos consignados e o próprio Bolsa-Família. Durante a inauguração da escola Gilda Rocha de Mello Souza, o presidente lembrou que 60 mil jovens que participaram do Programa Universidade para Todos (ProUni) já irão receber seus diplomas este ano, sendo 40% dos estudantes negros. "É preciso acabar com essa história de que negro e nordestino têm que ser cortadores de cana. Não temos vergonha de ser cortador de cana, mas queremos ser também engenheiros e tudo mais", disse. Bem humorado, antes de iniciar o discurso, o presidente tomou um copo de água e disse que "a diferença do Lula presidente para o Lula da porta da fábrica é que lá, as 5 horas da manhã, antes da assembléia, era preciso tomar uma coisa mais quente do que água para falar". Lula voltou a comentar ainda sobre o que considera o maior aperto fiscal já feito no País em 2003, citou que em 2005 "todo mundo acompanhou o que os partidos e uma parte da imprensa fez conosco", em referência à CPI do mensalão e, no fim, reafirmou a condição de credor do Brasil, com quase US$ 200 bilhões em caixa. Ele repetiu que como metalúrgico e presidente não poderia errar. "Se errasse, iriam colocar uma cangalha no pescoço e iria passar 150 ou 200 anos para admitirem um operário como presidente", declarou.

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