Lula critica oposição no caso das PPPs

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou hoje a presença do governador Geraldo Alckmin em Santo André, na cerimônia de anúncio do novo ciclo de investimentos do Pólo Petroquímico do Grande ABC para mandar um recado ao PSDB, que coloca obstáculos no Congresso Nacional para a aprovação do projeto que institui as parcerias público-privadas (PPPs). Ele afirmou que o projeto não foi aprovado ainda no Senado por uma questiúncula. "Aí, então, a única explicação que eu tenho é que é uma questão política e não querem aprovar por coisas menores. Acham que se aprovar nós (o governo) vamos fazer muito mais, o que pode ser ruim politicamente para eles (a oposição).Como comparação, ele ressaltou que projetos semelhantes de parcerias já foram aprovados nos Estados de São Paulo e de Minas Gerais, ambos administrados pelo PSDB. O presidente enfatizou que uma eleição não pode atrapalhar o desenvolvimento do Brasil. "As pessoas precisam ter grandeza com esse País. A gente não pode permitir que uma eleição municipal, pode ser da cidade mais importante do mundo, atrapalhe o desenvolvimento".Apesar de criticar o PSDB, Lula poupou o governador. Ele disse estar feliz com vinda de Alckmin à sede da Petroquímica União. Para Lula, a presença do governador é um sinal de que é possível fazer política com civilidade. "Eu acho que essa vinda do Alckmin aqui, apesar das divergências políticas e eleitorais, é uma demonstração de que a gente pode ensinar o mundo a fazer política civilizada", afirmou. Mas fez outra crítica à campanha atual da oposição "Na época de campanha eleitoral se fala muita bobagem e nós temos que tapar os ouvidos para isso e não ficar nervosos".Ele acrescentou que "amanhã ou depois", ele próprio pode estar disputando um cargo com Geraldo Alckmin, mas que isso não impedirá que eles sejam companheiros e que façam o que for interessante para o Brasil.Ao ressaltar a importância do pólo petroquímico do ABC, o presidente brincou com o diretor-superintendente da PQU, Wilson Matsumoto, a respeito do plano de investimentos se estender até 2007. "Eu e o Alckmin precisamos que você termine isso até 2006", disse, se referindo ao ano da próxima eleição presidencial. Hoje, Alckmin é o nome mais forte entre os tucanos para disputar o cargo, contra Lula.Falando de improviso, num discurso de 35 minutos, o presidente repetiu que acha "deplorável colocar o umbigo como órgão mais importante do corpo. Ele também afirmou que muitas vezes as coisas não acontecem mais rápido no País exatamente porque se vive num regime democrático e que a direção da Petrobras era outra. A declaração foi em referência ao fato de só neste ano, após muita negociação, a estatal ter garantido o fornecimento de gás de refinaria que possibilitará decisão da PQU de ampliar sua produção. "Temos de quebrar barreiras e elas não são quebradas aniquilando os adversários, mas sim os convencendo", disse, em tom conciliador.O presidente da Central Única dos Trabalhadores, Luiz Marinho, reclamou dessa demora para o plano do pólo do ABC ter saído e destacou o trabalho dos prefeitos da região. "O governo Mário Covas participou de maneira insuficiente do processo", alfinetou, lembrando o antecessor do atual governador.Alckmin, que falou antes de Lula, fez um discurso brando, não respondeu a Marinho e destacou que a demora aconteceu devido à necessidade de fazer mudança na legislação. "Antes, a lei não permitia que empresas de tecnologia pudessem avançar sem que tivesse um combate à poluição", disse, se referindo a dois decretos assinados recentemente que mudaram essa situação. Entre as modificações, estão o estabelecimento de prazos de validade para as licenças de operação e o fortalecimento dos mecanismos de gerenciamento de áreas saturadas ou em vias de saturação para os poluentes atmosféricos..Críticas à parte, durante a cerimônia de anúncio do plano de investimentos, que atingirá US$ 700 milhões, Alckmin e Lula aparentavam bom humor e cochicharam o tempo todo. Ao final, Lula colocou o boné da PQU e posou para os fotógrafos.Universidade no ABCSegundo a Agência Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que a região do ABC paulista, uma das mais ricas do país, já contribuiu muito para o Brasil e "nunca levantou a lebre que é o estado do ABC". "No Brasil, há o hábito de uma região rica querer se separar dos pobres. Nós não", disse ainda durante o evento da Petrobras. Lula defendeu também o projeto que cria a Universidade Federal do ABC. Ele afirmou que se o Congresso não aprovar o projeto, adotará outras medidas para levar o ensino superior público federal para a região, como por exemplo uma extensão da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

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