Lula critica oposição interna com metáforas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez hoje um discurso claramente dirigido para os setores dentro do movimento trabalhista que se opõem ao seu governo, no plenário do 8º Congresso Nacional da Central Única dos Trabalhadores (CUT). Entre outras metáforas, ele afirmou que "tem certeza de que muitos se afogam não porque não sabem nadar, mas porque ficam nervosos, batem as mãos demais, abrem a boca demais e bebem água". Lula fez um breve relato das últimas realizações de seu governo como o projeto de turismo que, segundo ele, empregará 1,5 milhão de pessoas, a transferência para o Brasil das plataformas P-51 e P-52 e a liberação de verbas para a agricultura familiar. E disse: "Ninguém pode julgar uma criança pelos cinco meses, quando ainda está no ventre da mãe. Não vamos bater os braços e nem gritar desesperados, porque pode-se morrer afogado desnecessariamente", afirmou.O presidente prometeu, dirigindo-se aos sindicalistas ligados ao funcionalismo público que erguiam faixas de protesto, que o seu governo vai fazer "o mais importante plano de cargos de salários já feito para o setor público" no Brasil. Ele queixou-se também da imprensa. "Na semana passada lançamos o mais importante projeto para cuidar de doentes mentais neste País", disse. "Qual não foi minha surpresa que quando ao ver televisão e jornais no dia seguinte, não falavam do projeto, mas de uma mulher que veio me falar que Fernandinho Beira-Mar estava recuperado porque tinha lido a Bíblia."Lula usou de uma metáfora para insinuar que seus acertos não encontram a mesma repercussão dos eventuais erros. E comentou o caso do "companheiro e da companheira"que saem cedo de casa e só voltam à noite, depois de trabalharem 12 horas. Se atrasarem meia-hora ao chegarem em casa, ela porque o ônibus demorou ou ele porque parou para tomar "uma cervejinha", serão criticados pelo atraso e não elogiados pelas 12 horas de trabalharem.

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