Lula critica MST; ministro diz que confronto em engenho foi gravíssimo

Opresidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou nesta quarta-feira o discurso em uma feira de agricultura em Balsas, no interior do Maranhão, para criticar os últimos confrontospromovidos pelo MST. "Nós precisamos fazer uma reforma agrária tranqüila e pacífica, para fazer justiça social neste País. E não precisa ter nenhuma briga", declarou opresidente. "Não é possível imaginar um País deste, com a quantidade de terra que tem, precisar ter ocupação ou violência contra quem quer que seja."Os conflitos no campo, principalmente o de Pernambuco, também foram explorados por parlamentares daoposição, em Brasília, num debate na Comissão de Agricultura da Câmara com a participação do ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto.Aos deputados,Rossetto classificou de "gravíssimo" o conflito em Pernambuco e garantiu que ogoverno está trabalhando para garantir a legalidade e a ordem na região. "Esse tipo deambiente não nos interessa. Não nos interessa conflito agrário", afirmou, referindo-se à depredação de um engenho em Tracunhaém (PE). O ministro frisou que o governocumprirá todas as legislações, entre elas a polêmica Medida Provisória antiinvasão.Rossetto também minimizou as declarações de João Paulo Rodrigues, um dos líderes do Movimento dos Sem-Terra (MST), que nesta quarta-feira se mostrou descontente com a políticade reforma agrária. Segundo Rodrigues, a "paciência" das famílias acampadas diante da lentidão do processo de reforma tem limite. Em resposta, o ministro disse que ogoverno já desapropriou mais de 240 mil hectares, um sinal de que Lula está "trabalhando fortemente para avançar no processo de reforma agrária".Na reunião daComissão de Agricultura, Rossetto ouviu de deputados da oposição questionamentossobre a violência no campo, entre eles o deputado Júlio Semeghini (PSDB-SP). Otucano quis saber se o governo estava mesmo disposto a cumprir a MP antiinvasão. "Osenhor por várias vezes pôs em dúvida a eficácia da lei. Queria saber se a MP serácumprida?", perguntou o tucano. Em resposta, Rossetto garantiu que "todas as leis,inclusive a MP" serão respeitadas. A respeito do conflito de Tracunhaém (PE), ele disse que o governo deve atuar commuita "sensibilidade" para resolver um problema que se arrasta há sete anos. Em nota divulgada nesta terça-feira, o ministro afirmou que o conflito é "antigo" e que há "impasses jurídicos" envolvendo o imóvel pertencente à Companhia Brasileira deEquipamento (CBE), do Grupo João Santos, que foi "classificado como improdutivo edeclarado de interesse social para fins de reforma agrária?.No discurso no Maranhão, Lula apresentou novamente seu conceito sobre reformaagrária no País. "Reforma agrária não é confinar o pequeno no campo para pegar carrapicho e carrapato." Segundo ele, "reforma agrária significa terra, significa crédito eassistência técnica e, muitas vezes, significa garantia de preços. Mas também é precisolevar em conta a importância da agricultura empresarial neste país, porque a agricultura éhoje a coisa que mais dá superávit para o Brasil na sua política de comércio exterior".

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