Lula critica governo de SP por não brigar pela Copa

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou hoje, em entrevista para blogueiros no Palácio do Planalto, o governo de São Paulo, administrado pelo tucano Alberto Goldman, por não ter brigado para que o estádio do Morumbi sediasse o jogo de abertura da Copa do Mundo no Brasil, em 2014. "É impensável São Paulo não ter o jogo de abertura. O Morumbi está pronto, é só bobagem de discutir estacionamento", alfinetou. "Acho que São Paulo não brigou corretamente, acho que, na verdade, é para atender interesses comerciais. A União não vai dar dinheiro, quem vai financiar são os Estados." Depois, citou que o Corinthians vai ter o seu estádio.

ANNE WARTH E ELIZABETH LOPES, Agência Estado

24 de novembro de 2010 | 10h59

Sobre as críticas com relação ao cronograma das obras para a Copa e para a Olimpíada de 2016, Lula disse que não tem nada atrasado. "O problema é que não podemos fazer nada quatro anos antes. Vários Estados já começaram", disse, citando as obras no estádio do Internacional, no Rio Grande do Sul. "Temos vontade, dinheiro e está tudo engatilhado."

Na entrevista, o presidente disse que no dia 18 de janeiro de 2011 vai fazer um ano que parou de fumar. "Eu não faço censura a quem fuma não, mas faz um bem para saúde que você não imagina. Estamos provando que não basta a gente fazer lei para enfrentar o preconceito, a lei é um instrumento legal, o que vai mudar é o processo conscientização das pessoas. Estamos lutando há quantas décadas para aprovar cotas nas universidades? Nós matamos esse problema com o ProUni (Programa Universidade para Todos), 45% dos estudantes negros, meninos e meninas da periferia."

Preconceito

Ao falar da campanha que elegeu sua afilhada política, Dilma Rousseff, Lula falou que houve muito preconceito. "O preconceito é uma doença quase que incurável, nas entranhas das pessoas, quanto mais o invejado tem sucesso, mais o invejoso tem ódio." Apesar da constatação, disse que o País está evoluindo bem, mas ainda longe da perfeição. Depois de citar casos de preconceitos em países como África do Sul e Estados Unidos, disse que no Brasil o preconceito é visível "na cara e nos olhos das pessoas".

Lula falou também de temas polêmicos que permearam o debate eleitoral neste pleito, como o aborto. A esse respeito, destacou que como cidadão é contra, mas enquanto chefe de Estado tem de tratar o aborto como saúde pública. "Tenho que reconhecer que ele existe, milhões de pessoas fazem, meninas furando útero com agulha crochê, meninas tomando chá de caroço de abacate."

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