Lula critica fim da Sudam e defende subsídios

O presidente de honra do PT e provável candidato do partido à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva, criticou o governo Fernando Henrique Cardoso por ter acabado com a Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), instituição envolvida em denúncias de corrupção, e defendeu os subsídios e incentivos como forma de estimular o desenvolvimento e a agricultura. "Não tem que acabar com a Sudam por causa do Jader Barbalho. Tem que acabar com o Jader Barbalho", declarou, referindo-se ao presidente do Senado, acusado de envolvimento nos desvios na Sudam. Lula também criticou o fim da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene). "Não tem que acabar com as instituições, tem que prender os ladrões", resumiu.Lula criticou o que considera o projeto do governo para a agricultura brasileira, baseado em grandes propriedades com produção totalmente mecanizada e apenas 4% da população do País vivendo nas zonas rurais. Para ele, a proposta não serve para os brasileiros. "O Brasil devia estar dando graças a Deus por ter 25% de seu povo no campo; quiçá, se tivéssemos 30%, teríamos menos favelados, menos drogados, menos meninas se prostituindo?. O petista defendeu que sejam levados à população rural benefícios como saúde e educação, além de crédito para o plantio. Ele também criticou o fim da produção de carros a álcool e defendeu o estabelecimento, pelo Estado, de cotas de veículos desse tipo que seriam produzidos e comprados pelo governo."No Brasil, na década de 90, produzíamos 90% de carros a álcool", lembrou. "De repente, não se produz nenhum. Ora, se o álcool é uma fonte energética alternativa, nós detemos a tecnologia e já está provado que é possível funcionar, pelo menos o governo poderia estabelecer uma cota,dizer que os carros do Estado serão a álcool, alguma coisa para poder ter um planejamento. Mas fica oscilando entre 90 e zero, aí quebra todo mundo."Alca - O petista afirmou não ser contra, por princípio, a Área de Livre Comércio das Américas (Alca), mas pensa que o Brasil, antes de aderir a ela, precisa se preparar. "Teoricamente, para o consumidor, (aderir à Alca) é maravilhoso. Vou ter produto americano, vou ter até Reebok", disse Lula. "Ora, mas nós temos que pensar na nação que queremos construir, no nosso setor produtivo, na nossa agricultura, na nossa indústria. O empresariado brasileiro, em sua maioria, não tem poder de competividade, não tem tecnologia." O presidente de honra do PT analisou ainda a situação da Argentina, que, segundo ele, "vai ficar pedindo dinheiro, a vida inteira, para o FMI (Fundo Monetário Internacional)". "A Argentina chegou ao ápice quando estabeleceu a paridadade dólar/peso", declarou. "É mentira, gente, um peso não vale um dólar. O povo argentino está endividado em dólar. E agora o governo não pode mudar o câmbio, porque quebra. Queremos que o Brasil seja diferente."

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