Lula critica atraso de licenças ambientais em SP

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva acusou hoje o governo de São Paulo de atrasar a concessão de licenciamentos ambientais em obras do governo federal no Estado. Durante a entrega da primeira etapa do projeto de urbanização da antiga Favela Naval, em Diadema, Lula disse que o governo estadual impede a União de fazer obras e projetos na região e não atua como parceiro, apesar de ter terrenos disponíveis.

ANNE WARTH, Agência Estado

16 Julho 2010 | 13h27

Ao se referir ao prefeito de Diadema, Mario Reali (PT), que discursou pouco antes, Lula disse que ele havia se esquecido de criticar "a pessoa do Estado que tem de dar licença ambiental para fazer as coisas aqui". Para o presidente, "não é apenas em Diadema que as licenças não saem, mas também em outros lugares do Estado". "Me parece que tem uma pessoa, que eu não sei quem é, que cria dificuldades para dar licença ambiental para a gente fazer as coisas", afirmou o presidente. "Nossa passagem pela Terra é muito curta. Não dá para ficar a vida inteira esperando a boa vontade de um burocrata com a bunda na cadeira, no ar condicionado, sentado sem se preocupar em como o povo vai viver."

Lula disse que é importante que os prefeitos assumam essa briga com o Estado. "A nível federal nós temos brigado muito para que a gente consiga liberar as coisas com a rapidez necessária." O presidente também justificou o seu linguajar pela proximidade do fim de seu mandato como presidente da República. "Sei que a gente é governo e tem de ter diplomacia e linguajar adequado, mas eu estou quase deixando de ser presidente e vou voltar a falar do jeito que sempre falei nesse País", disse.

O prefeito de Diadema também cobrou uma atuação mais ativa do governo do Estado em obras de urbanização da cidade. "O Estado tem área disponível e tem de entrar como parceiro no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) 2", disse. O projeto de urbanização da região da Favela Naval custou R$ 25,5 milhões, dos quais R$ 20,5 milhões vieram do governo federal e R$ 5 milhões do município. Cada uma das 252 unidades habitacionais custou R$ 34 mil, dos quais R$ 19,6 mil foram repassados pelo governo federal e o restante, pela Prefeitura de Diadema.

Cautela

Mais cuidadoso ao falar das eleições, o presidente não citou o nome nem a participação da candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, ex-ministra da Casa Civil, em seu discurso.

Os apartamentos entregues em Diadema fazem parte de obra do PAC, do qual Dilma foi nomeada por Lula "mãe", na época de sua criação. "Fizemos muito por esse País, mas ainda falta muito e não queremos retrocesso", limitou-se a dizer o presidente.

Acidente da BP

Lula também voltou a falar sobre o acidente na plataforma de petróleo na região do Golfo do México e acusou a British Petroleum (BP) de ter utilizado materiais baratos, o que teria causado o acidente. "Ela tentou fazer a coisa mais barata. E o barato saiu caro. Se Deus quiser, isso não vai acontecer no Brasil", disse, ressaltando que a Petrobras tem uma tecnologia mais avançada que a multinacional inglesa.

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