Lula critica acordo com FMI e diz que Borges articulou arrastões

O presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, acusou hoje o governo da Bahia de ter incentivado os saques nos estabelecimentos comerciais e de ter interesse no aumento da criminalidade verificado durante a greve da Polícia Militar naquele Estado. Isso faria com que a Polícia Militar fosse pressionada a voltar ao trabalho sem a concessão do reajuste salarial desejado. "O próprio governo articulou os chamados arrastões para criar pânico na sociedade", disse Lula, em entrevista no município gaúcho de Santa Maria, onde passa parte do dia. "O governo tentou vender a impressão de que se não tivesse policial na rua, todo baiano era bandido", analisou.Segundo Lula, a suposta ação governamental pró-crime o lembrou os arrastões ocorridos em 1992 no Rio quando a candidata petista, Benedita da Silva (hoje vice-governadora do Rio), foi para o segundo turno das eleições municipais e perdeu para Cesar Maia. "Terminadas as eleições, acabaram os arrastões."Lula é favorável à realização de greves por policiais militares. "Minha tese é de que todas as categorias que são consideradas atividades essenciais só podem ser proibidas de fazer greve se tiverem também um salário essencial", disse. "Mas se eu considero atividade essencial, e pago salário micho, esse cidadão tem direito a fazer greve." O petista disse que "na Suécia, até o Exército pode fazer greve fora da época de guerra."Lula disse que, com o novo acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), a administração Fernando Henrique Cardoso "está fazendo de tudo para engessar um novo governo porque, na cabeça doentia da equipe econômica, de subordinação do Brasil ao capital externo, eles querem que qualquer governo siga fazendo o que eles fazem. Mas nós só temos interesse de ganhar as eleições para não dar seguimento a essa política." Segundo Lula, o governo precisa pedir emprestado ao FMI porque não consegue fechar suas contas. "O correto seria que estivéssemos produzindo o suficiente e que tivéssemos os dólares suficientes para fechar as contas", disse. Mesmo sendo levado a pedir o empréstimo, na opinião de Lula, o Brasil ainda age de forma equivocada ao subordinar-se a todas as restrições impostas pelo Fundo. "As orientações de ajustes em qualquer país onde dirigentes tenham vergonha e auto-estima são decididas pelo País, nunca pelo sistema financeiro internacional."

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