Lula convida Angola para 'revolução dos biocombustíveis'

Presidente angolano diz que biocombustíveis não devem prejudicar produção agrícola

Rogério Wassermann, BBC

18 Outubro 2007 | 10h20

Em visita nesta quinta-feira a Angola, o segundo maior produtor africano de petróleo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva repetiu o convite que já havia feito durante as etapas anteriores de sua atual visita à África e convidou o país a participar do que chama de "revolução dos biocombustíveis".       Veja também:    Comércio Brasil-Angola supera US$ 1 bi neste ano, diz Lula "Angola é uma potência petrolífera. O Brasil é auto-suficiente na produção de petróleo. Não obstante, podemos, juntos, participar da próxima revolução energética: a dos biocombustíveis", disse Lula em discurso na abertura da reunião bilateral com o presidente angolano, José Eduardo dos Santos, no palácio presidencial de Luanda. Durante o discurso, Lula disse que a produção de biocombustíveis já criou 6 milhões de postos de trabalho no Brasil e tem a capacidade de gerar renda e colaborar para evitar o êxodo rural e o inchaço urbano. "Entre os beneficiados estão pequenos agricultores em zonas semi-áridas deprimidas", observou Lula. O presidente angolano, por sua vez, disse em seu discurso considerar importante a possibilidade de "redução da atual dependência mundial do petróleo, através da progressiva utilização de biocombustíveis". Santos advertiu, porém, que a produção de etanol e biodiesel, que "transforma em combustível fontes vegetais que são a base alimentar das nossas populações, tem de acontecer com a execução de outros projetos que visem o aumento da produção agrícola e agroindustrial, para garantir a segurança alimentar de todos". "Estamos assim abertos à discussão para estudarmos a melhor via para implementar a produção de uma energia não poluente que se tem revelado eficaz na redução do efeito estufa que ameaça o nosso planeta", disse Santos. A visita a Angola é a última parada do giro de quatro dias que Lula faz pela África. Esta é a sétima vez que o presidente brasileiro visita o continente - no total, ele já esteve em 19 países africanos. Lula iniciou a visita na segunda-feira, em Burkina Faso, passando depois pela República do Congo e pela África do Sul, onde participou, na quarta-feira, de uma reunião de cúpula do grupo Ibas, formado por Brasil, Índia e África do Sul. Desde o início de seu primeiro governo, Lula vem afirmando que a melhoria das relações do Brasil com os países africanos é uma das prioridades de sua política externa. Esta é a segunda vez que Lula visita Angola. A primeira visita aconteceu em 2003, ainda no primeiro ano de seu primeiro mandato presidencial. A parceria com o país é considerada importante pelo governo brasileiro, tanto pela língua e herança colonial comuns como pelo alto índice de crescimento da economia local - o crescimento para este ano deve superar os 18%. Em recuperação após a longa guerra civil, que durou quase três décadas e terminou em 2002, o país recebe um grande fluxo de investimentos, principalmente em obras de infra-estrutura e na exploração de petróleo. Angola é o país que mais vem recebendo investimentos brasileiros atualmente na África, de grandes empresas como Petrobras e Odebrecht. Lula é acompanhado em sua visita por um grupo de cerca de 25 empresários brasileiros, que se reúnem com empresários locais em um seminário para promover novos negócios e intercâmbios comerciais entre os dois países. Lula deve embarcar de volta a Brasília no final da tarde desta quinta-feira. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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