Rafael Arbex/Estadao
Rafael Arbex/Estadao

Lula contraria Haddad ao reiterar que houve 'golpe'

Ex-presidente faz declaração em plenária em Guianases (SP) ao lado do candidato à reeleição Fernando Haddad (PT), dois dias após prefeito dizer que 'golpe é uma palavra um pouco dura' para qualificar o impeachment de Dilma

Ricardo Galhardo, O Estado de S.Paulo

13 de agosto de 2016 | 00h21

Dois dias depois de dizer em entrevista ao Estado que a palavra “golpe” é “um pouco dura” para descrever o impeachment da presidente Dilma Rousseff, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), candidato à reeleição, foi contrariado publicamente pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nesta sexta-feira, 12, em uma plenária em Guaianases que marcou o início da campanha petista na Capital.

“Acabamos de ver 342 deputados em Brasília darem um golpe no voto de vocês. Tem que levar em conta que o golpe na Dilma foi um golpe na mulher brasileira”, disse Lula ao lado de Haddad, que, momentos antes, havia remodelado seu discurso ao fazer referência ao "golpe contra a democracia". 

O ex-presidente não foi o único a ocontrariar Haddad durante o evento. A vereadora Luciana Cardoso, usou a palavra várias vezes em seu discurso. “É golpe sim. É um golpe de Estado que estamos vivendo”, disse ela, pouco antes da chegada do prefeito.

O deputado Vicente Candido (PT-SP), coordenador do programa de governo do prefeito, também usou a palavra “golpe” duas vezes em sua fala. Segundo ele, Haddad se equivocou ao dizer que o termo é inadequado e deve corrigir seu discurso.

“Nós vamos disputar os 30% do eleitorado que é de esquerda e contra o golpe. Tem que redirecionar isso aí”, disse o deputado.

Até a pequena plateia que encheu a quadra da Associação Esportiva Codó, local do evento, contrariou Haddad ao gritar: “não vai ter golpe”.

Reação. O prefeito não escondeu a irritação. Indagado sobre o tema em entrevista coletiva, Haddad se recusou a responder. “Não vou responder. A próxima pergunta”, limitou-se a dizer.

Durante o discurso ele empregou as palavras “conspiração” e “traição” para se referir ao impeachment de Dilma. Segundo fontes da campanha, a decisão de amenizar o discurso sobre o impeachment foi deliberada e tinha como objetivo evitar atritos com parte do eleitorado favorável ao afastamento da presidente.

A entrevista de Haddad ao Estado, no entanto, teve repercussão negativa na base petista. “Assim dificulta para a gente na hora de mobilizar o pessoal”, disse Raimundo Bonfim, da Central de Movimentos Populares e da Frente Brasil Popular.

Marta. A plenária em Guaianases também foi marcada por ataques indiretos à senadora Marta Suplicy, ex-petista, que vai concorrer à Prefeitura pelo PMDB.

“Muita gente passou pelo PT, mas o PT ficou. E hoje quem pode fazer melhor para São Paulo não são os que passaram, é o Fernando Haddad”, disse o presidente nacional do PT, Rui Falcão, que foi secretário de Governo na administração Marta (2001-2004) e candidato a vice da hoje senadora na eleição de 2004.

Questionado sobre o fato de começar a campanha por uma região onde Marta tem marcas fortes como o Centro Educacional Unificado (CEU) Jambeiro, Haddad disse que não costuma “personalizar” as ações de governo.

Segundo ele, o foco da campanha será mostrar as realizações feitas pela sua gestão na periferia, onde se concentram os votos petistas na capital. Realizações que, de acordo com o prefeito, foram escondidas pela imprensa. 

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