Lula confirma favoritismo de caças franceses

Em entrevista a veículos franceses, presidente diz que negociação para compra de jatos Rafale estão 'avançadas'

Andrei Netto, de O Estado de S.Paulo,

06 Setembro 2009 | 18h12

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou, em entrevista concedida à imprensa francesa veiculada neste domingo, 6, o favoritismo dos aviões de caças franceses Rafale na licitação FX-2, que prevê a compra de 36 jatos como parte da renovação da esquadrilha da Força Aérea Brasileira (FAB).

 

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A declaração veio a público no dia em que o chefe de Estado da França, Nicolas Sarkozy, desembarca no Brasil para a visita que deve marcar a conclusão de um acordo histórico de venda de armas e de tecnologia no valor de € 8,6 bilhões.

 

Segundo Lula, as discussões entre os dois países estão "muito avançadas". O presidente não garantiu, no entanto, se o anúncio da venda acontecerá durante a visita.

 

As declarações foram feitas durante entrevista concedida à emissora TV5 Monde, à Radio France Internacional (RFI) e ao jornal Le Monde. Durante 45 minutos, a venda dos caças Rafale, fabricados pela Dassault, foram o assunto dominante.

 

"Nós montamos um Plano Estratégico de Defesa Nacional e em torno deste plano estamos elaborando uma política estratégica com a França, a fim de que possamos assinar contratos envolvendo submarinos, helicópteros e discutir também a questão dos aviões de caça", afirmou Lula.

 

Diante da insistência dos jornalistas sobre o resultado da licitação FX-2, do qual participam também os aviões Gripen NG, da sueca Saab, e F-18 Super Hornet, da norte-americana Boeing, o presidente disse que discutirá a decisão com o Ministério da Defesa e o comando da Força Aérea Brasileira (FAB).

 

"O Brasil passa por uma fase na qual terá de tomar uma decisão, e todo mundo sabe que uma das exigências que o Brasil faz é de ter acesso à tecnologia", explicou, dizendo que o país "sonha produzir" uma parte do avião.

 

Indagado se o anúncio do vencedor poderia ser feito durante a visita de 24 horas de Sarkozy a Brasília, Lula não confirmou, mas revelou o favoritismo. "Nossas discussões estão muito avançadas e eu acho que chegaremos a um bom entendimento com a França. Nós temos um relacionamento de confiança com o presidente Sarkozy", reiterou.

 

"Para nós, a compra dos caças tem um componente essencial, que é a transferência de tecnologia e a possibilidade de fabricar uma parte desses aviões no Brasil. Quem estiver com essa disposição estará mais próxima de fechar o contrato com o Brasil. E vocês sabem bem quem tem essa disposição mais forte", insinuou aos jornalistas.

 

O Rafale, projeto iniciado em 1988, está em operação na força aérea francesa desde 2006. No entanto, até agora não encontrou compradores estrangeiros, uma grande frustração para Sarkozy.

 

O líder francês está conversando com os Emirados Árabes Unidos sobre a possível venda de 60 aviões.

 

Submarinos

 

Nesta segunda, Lula e Sarkozy assistirão juntos ao desfile de 7 de Setembro em Brasília. Em seguida, os dois chefes de Estado deverão assinar o acordo de compra, por parte do Brasil, de quatro submarinos convencionais Scorpène e de um casco de submarino nuclear, além da construção de um estaleiro e de uma base naval no Rio.

 

Pelos contratos da Marinha, o Ministério da Defesa pagará € 6,7 bilhões. Além deles, será homologada a produção e compra de 51 helicópteros pesados Cougar EC-725 Helibras, filial da Eurocopter, ao custo de € 1,9 bilhão.

 

Apesar da amplitude dos acordos militares, Lula ressaltou que deseja a ampliação do comércio e da Parceria Estratégica entre os dois países também na área civil. "É inexplicável que o Brasil e a França tenham uma balança comercial de apenas US$ 8 bilhões", afirmou.

 

Outros pontos da entrevista

Embora os acordos militares entre os dois países tenham domindado a maior parte da entrevista, o presidente também falou sobre outros assuntos, como meio-ambiente e o suposto apoio do Brasil ao resultado das eleições no Irã.

 

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