Lula confessa ter ficado triste com vaias na abertura do Pan

No rádio, presidente diz que foi preparado para festa, 'mas não importa o que aconteceu'

16 de julho de 2007 | 07h53

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ter ficado triste com as vaias que recebeu na abertura dos Jogos Pan-Americanos, na última sexta-feira, 13, no Rio. Em seu programa semanal de rádio, Café com o Presidente, Lula afirmou ainda que o comportamento do público no Maracanã não refletiu o " pensamento do Rio de Janeiro".   "Na minha vida política, a vaia e o aplauso são dois momentos de reação do ser humano. A única coisa que eu, particularmente, fico triste é que eu fui preparado para uma festa. É como se eu fosse convidado para o aniversário de um amigo meu, chegasse lá e encontrasse um grupo de pessoas que não queria a minha presença lá", disse durante o programa.   Depois das vaias, Lula desistiu de declarar aberto os jogos, como estava planejado. A declaração foi feita pelo presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Carlos Nuzman.   Lula foi vaiado ao menos cinco vezes quando seu nome foi anunciado. Na cerimônia, um microfone havia sido preparado para o presidente declarar os jogos abertos - mas a idéia acabou abandonada, sem mais explicações. Segundo um assessor de Lula, ele teria classificado a manifestação como "molecagem", e , muito irritado, teria dito: "Eu não tenho medo de vaia." O presidente estava acompanhado de da primeira-dama, Marisa Letícia. 'Armação'   O ministro dos Esportes, Orlando Silva Júnior, avaliou que as vaias que o presidente Lula recebeu no Estádio do Maracanã seriam o resultado de uma "armação" relacionada à batalha política, mesmo argumento usado pelo PT no seu site. Segundo o partido, a vaia foi ensaiada e coloca na internet um vídeo com as manifestações negativas durante o ensaio da abertura dos jogos para provar sua tese. Vale lembrar que, assim como na abertura, o ensaio também era aberto à população.   "O presidente Lula foi para o Maracanã com o espírito aberto, desarmado; foi para um congraçamento do esporte das Américas e não foi para nenhum ato político", alfinetou o ministro durante entrevista ao programa Canal Livre, da TV Bandeirantes. "A minha impressão é de que houve algum tipo de armação", frisou Orlando Silva.   Oposição   A oposição comemorou as vaias. "É bom para ele não se achar dono da opinião pública e saber que há súditos que vaiam", comentou no domingo o senador Arthur Virgílio (AM), líder do PSDB. "Essa ação no Maracanã foi fruto de irreverência, um gesto de meninada que quer fazer barulho", rebateu o senador Romero Jucá (RR), líder do governo.   Jucá lembrou que o escritor Nelson Rodrigues dizia que no Maracanã as pessoas vaiam até minuto de silêncio. Os oposicionistas entenderam que a vaia no Maracanã adveio de um conjunto de pessoas que não formam no público que aprova o presidente. "Ficou claro que uma parcela da população o rejeita", disse ACM Neto.   Otimismo   Otimista, Lula já está de olho nos próximos grandes eventos esportivos. "O que nós precisamos torcer é para que as pessoas saiam daqui com uma imagem altamente positiva da capacidade de organização que o Brasil tem para fazer eventos internacionais dessa magnitude. Aí sim, nós poderemos começar a pensar concretamente na Copa do Mundo 2014 e pensar na organização de uma Olimpíada, quem sabe, em 2016".   O presidente disse que, antes da festa, visitou a Vila Olímpica e que os atletas foram "unânimes" para dizer que nunca tinham visto nada com a qualidade como que o Brasil está oferecendo. O governo federal investiu R$ 2 bilhões no Pan. Lula disse que o Rio foi beneficiado com a parceria entre os governos municipal, estadual e federal. "Quando há disputa política a coisa fica mais encrencada".       Para oposição, vaia a Lula foi 'aviso' Lula fala sobre vaia no Maracanã

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