Lula condena tática do terrorismo eleitoral

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva condenou o tom adotado pela prefeita de São Paulo, Marta Suplicy (PT), candidata à reeleição, que decidiu reeditar a estratégia do medo usada pelos tucanos na campanha de 2002. Em conversas reservadas, Lula disse ter ficado surpreso com a tática. Não gostou do que ouviu, porque também já foi vítima de argumentos parecidos, vinculando sua eleição ao caos no País. A situação de Marta preocupa o governo, que identifica vários erros de percurso em sua campanha. A estratégia de associar uma eventual vitória do candidato do PSDB, José Serra, a um "estado de crise política" durante os próximos dois anos do mandato de Lula não foi combinada com o Planalto. Na cúpula do governo, a avaliação é de que a tática foi "uma derrapada". O que havia sido acertado até mesmo com o ministro da Fazenda, Antônio Palocci, é que Marta colaria sua imagem à do presidente, na tentativa de capitalizar o bom momento vivido pelo governo, com o crescimento da economia. Na segunda-feira, em reunião com a coordenação política, Lula pediu mais empenho dos ministros na campanha de Marta, que está tecnicamente empatada com Serra e enfrenta um período delicado. Palocci, que é amigo da prefeita, gravou depoimento já exibido no horário eleitoral de TV e deve aparecer ao lado dela em outros momentos. Os petistas não esperavam, porém, o tom de ameaça das afirmações de Marta, para quem a população de São Paulo tem duas opções: o crescimento com o PT ou a crise com o PSDB. "Ela exagerou na dose e isso não é coisa do Duda Mendonça", disse um ministro ao Estado, numa referência ao publicitário da campanha petista. "Vamos ter de consertar esta derrapada." A direção do PT e o governo têm pesquisas indicando um cenário de dificuldades para a prefeita se ela for para o segundo turno com Serra em situação de desvantagem. Pelas simulações, a maior parte do espólio eleitoral do candidato do PP, Paulo Maluf, pode migrar para o tucano. Foi com esses dados em mãos que Lula pediu reforço na campanha de Marta. A reeleição da prefeita é fundamental para o projeto de poder do PT. "O que dona Marta tem dito contra nós é um disparate sem tamanho", atacou o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM). "Das duas uma: ou é desespero de quem vê a derrota muito próxima ou é grito de quem acha que não pode perder o poder."

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