Lula condena algemas e 'sensacionalismo' da PF no caso Dantas

Avaliação foi feita durante reunião da coordenação política, que também tratou de ministros em campanhas

14 de julho de 2008 | 19h46

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva  condenou nesta segunda-feira, 14, o uso de algemas e o "sensacionalismo" da Polícia Federal na Operação Satiagraha, que teve como principal alvo o banqueiro Daniel Dantas. Em reunião com os ministros que compõem a coordenação política do governo, Lula cobrou "menos espetáculo" nas investigações. Além de Dantas, o megainvestidor Naji Nahas e o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta saíram algemados pelos agentes quando a PF decretou suas prisões preventivas. Os três já estão soltos.   Veja também: Procuradores querem pedir impeachment do presidente do STF Mendes rebate Tarso e diz que ele não pode julgar caso Dantas Daniel Dantas espionou juízes paulistas, afirma PF Após habeas-corpus, Daniel Dantas deixa prisão em São Paulo Opine sobre nova decisão que dá liberdade a Dantas  Entenda como funcionava o esquema criminoso  Veja as principais operações da PF desde 2003  Entenda o nome da Operação Satiagraha, que prendeu Dantas    As prisões de Daniel Dantas    "Para quê humilhar uma pessoa se ela se dispõe a prestar esclarecimento e tem endereço fixo?", perguntou Lula na reunião de coordenação, a primeira desde sua viagem ao Japão, Vietnã, Timor Leste e Indonésia. "Eu sou contra a exposição desnecessária." Apesar de ter considerado a operação da PF consistente, o presidente avaliou que a Polícia Federal pode ter cometido abusos, principalmente em relação às conversas grampeadas.   Escalado para falar sobre a Satiagraha, o ministro da Justiça, Tarso Genro, afirmou que o único reparo a fazer nas ações da PF dizia respeito à forma como a operação foi divulgada para uma emissora de TV. Tarso defendeu o uso das algemas quando os réus mostram resistência à prisão, mas concordou que a operação deflagrada para combater o crime financeiro e desvio de recursos públicos poderia ter sido mais discreta.   Na avaliação de Lula e seus auxiliares, a conversa telefônica interceptada pela PF entre o ex-deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (PT) - advogado de Dantas - e o chefe de gabinete da Presidência, Gilberto Carvalho, não teve "nada demais". "Gilberto apenas respondeu a uma consulta de um amigo", disse um ministro que participou do encontro. "Não foi criado qualquer obstáculo à investigação da PF".   No diálogo gravado pela PF, no dia 29 de maio, Greenhalgh pede a Gilberto que verifique se alguém da Presidência estava investigando o empresário Humberto Braz, ex-presidente da Brasil Telecom e braço direito de Dantas. O chefe de gabinete de Lula respondeu que não, mas se comprometeu a falar com o diretor-geral da PF, Luiz Fernando Correa, para atender ao pedido do amigo. Em nota divulgada à imprensa, porém, ele gaarantiu que não levou o caso adiante.   Tarso disse que a única forma de corrigir possíveis excessos em relação aos grampos está na votação do projeto de lei das escutas telefônicas. A proposta, que impõe maior rigor na gravação e seleção de conversas pessoais, foi enviada pelo Ministério da Justiça ao Congresso há mais de quatro meses e até hoje não foi apreciada."Se esse projeto tivessse sido votado, possivelmente alguns erros não teriam sido cometidos", afirmou Tarso ao Estado.   Texto alterado às 21h17

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