Lula compara transposição a projeto de Franklin Roosevelt

Presidente disse que obras como a do Rio São Francisco aumentam a oferta de emprego no Nordeste

Leonencio Nossa, da Agência Estado,

15 Outubro 2009 | 13h06

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao discursar para trabalhadores no canteiro das obras de transposição do Rio São Francisco, neste município de Pernambuco, rebateu críticas de ambientalistas contra o projeto, afirmando que ele se destina a beneficiar o ser humano, e o ser humano "é o principal animal do mundo". Lula também disse que seu governo combate a indústria da seca através das obras do PAC.

 

Veja também

linkEm viagem com Dilma para visitar obras, Lula reforça crítica ao TCU

linkLula faz comício no São Francisco, mas segura dinheiro para obra

linkDilma nega que governo queira flexibilizar fiscalização de obras

linkTCU tem dados contra ofensiva do Planalto

 

"Eu não quero que a gente mate um passarinho, um calango, ou uma cobras, mas não posso deixar o povo pobre passar fome. O principal animal do mundo é o ser humano", afirmou, de improviso. Mais uma vez, ele comparou a transposição do São Francisco ao projeto implantado no Vale do Rio Tennessee, em 1933, nos Estados Unidos, pelo então presidente Franklin Roosevelt: "Esta obra (a transposição do São Francisco), que é uma das maiores obras que estão sendo feitas no mundo, só é igual à que o presidente Roosevelt fez no Vale do Tennessee, que transformou aquela região em uma região produtora."

 

Lula se referia à iniciativa tomada em 1933 por Roosevelt, que criou a Tennessee Valley Authority (TVA) e deu início ao conjunto de programas e ações - o projeto chamado "New Deal" - que acabaram ajudando a tirar os Estados Unidos da depressão econômica iniciada em 1929. Ele disse que projetos como o da transposição do São Francisco estão aumentando a oferta de emprego na Região Nordeste. "As pessoas estavam habituadas a ver os pobres do Nordeste irem para São Paulo procurar emprego na construção civil. Agora, quem trabalha na construção civil não precisa ir para São Paulo."

 

O presidente afirmou ainda que seu governo, com a obra de transposição do Rio São Francisco, está "combatendo a indústria da seca". Ele disse que os nordestinos não querem mais viver das frentes de trabalho, que são organizadas durante a seca e nas quais o trabalhador fica "quebrando pedra ou escavando" sem uma finalidade específica a não ser a de receber um pagamento (geralmente meio salário mínimo).

 

Lula reclamou da oposição que o bispo de Barra (BA), Luiz Flavio Cappio, fez ao projeto de transposição: "Teve até um bispo que fez greve de fome para a gente não fazer essa obra". Queixou-se ainda das críticas que fazem à obra as Organizações Não Governamentais (ONGs), mas não citou nomes. Disse que as pessoas "criticam, mas não têm conhecimento" da situação vivida pelos nordestinos na escassez de água.

 

O encontro de Lula com os trabalhadores começou com cerca de uma hora de atraso. Antes, o secretário-executivo do Ministério da Integração, João Santana, havia prolongado além do previsto sua apresentação do projeto de transposição, em reunião com Lula, com os ministros Dilma Rousseff (Casa Civil) e Geddel Vieira Lima (Integração) e com o deputado Ciro Gomes e oficiais do Exército.

 

Um assessor de Presidência, ao perceber que a apresentação de Santana atrasaria o encontro de Lula com os trabalhadores, chamou a atenção do secretário-executivo, mas este respondeu: "Não estou preocupado com ninguém. Quem manda aqui é o presidente Lula, e o resto que se exploda". Depois, Santana pediu desculpas, mas apenas à ministra Dilma, dizendo que também ela mandava na obra: "Na Bahia, nós temos respeito pelas mulheres", afirmou. E continuou a explanação, em clima de visível constrangimento do presidente e da ministra.

Mais conteúdo sobre:
Lula transposição PAC Roosevelt Tennessee

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.